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Guantánamo não está em discussão, dizem EUA

Roberta Jacobson, funcionária dos EUA nas conversas com Cuba, falou à Câmara dos Deputados, que a questionou sobre enclave

CLÁUDIA TREVISAN, DE WASHINGTON / CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 19h28



O retorno da base americana de Guantánamo a Cuba não faz parte da negociação para o restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, disse ontem a principal representante dos EUA nas conversas, Roberta Jacobson. Em depoimento na Câmara dos Deputados, ela ouviu críticas de parlamentares de ambos os partidos à mudança da política em relação à ilha, em um indício das dificuldades que a Casa Branca terá em convencer o Congresso a levantar o embargo contra a ilha.

A situação de Guantánamo foi levantada por vários deputados e promete ser um dos pontos de conflito nas discussões entre os dois países. Na semana passada, o presidente cubano, Raúl Castro, condicionou a normalização das relações com os EUA à devolução da instalação militar.

Os Estados Unidos alugam o território onde está Guantánamo nos termos de um tratado assinado com Cuba em 1903. Desde a Revolução de 1959, o governo de Havana tem protestado contra a presença americana na ilha, sob a alegação de que o acordo contraria o direito internacional.

Parlamentares que questionaram Jacobson a pressionaram por uma resposta categórica em relação ao futuro da base naval. “A questão de Guantánamo não está na mesa nessas conversas”, declarou a secretária assistente para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado. Mas Jacobson dividiu as negociações entre o restabelecimento de relações diplomáticas no curto prazo e a normalização de relações entre os dois países, um processo que vai se estender durante anos e incluirá uma série de demandas mútuas.

Entre outros pontos, os americanos exigem a indenização pelas propriedades de suas empresas e cidadãos expropriadas depois da Revolução. Castro deixou claro que Guantánamo será um dos pontos que serão levantados por Cuba.

A maioria dos deputados que participou da audiência de ontem colocou em dúvida o impacto da nova política sobre a situação dos direitos humanos na ilha e acusou o governo Barack Obama de ceder a Raúl Castro sem obter concessões em troca.

Nascido em Cuba, o democrata Albio Sires afirmou que 85% dos negócios da ilha são controlados pelo Exército e sustentou que a aumento das viagens e do comércio entre os dois países acabará beneficiando o governo, e não a população. “Essas políticas vão aumentar os dólares que vão para o regime e dar a ele uma sobrevida”, concordou o republicano Ed Royce. 

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