Guantánamo: parentes terão notícia de presos pela 1ª vez

A divulgação dos nomes de 558 detentos na prisão americana de Guantánamo nesta quinta-feira pode fornecer a algumas famílias a primeira confirmação em quatro anos de que seus parentes estão presos na base militar em Cuba, informou a Cruz Vermelha Internacional. Os presos de Guantánamo podem ter informado seu paradeiro diretamente em mensagens particulares envidas pelo Comitê da Cruz Vermelha Internacional às famílias, mas é possível que alguns detentos tenham se recusado a utilizar o serviço deixando os parentes sem informação alguma, disse a porta-voz chefe da Cruz Vermelha, Antonella Notari. "Não sei de casos específicos mas, teoricamente, um prisioneiro não tem a obrigação de se corresponder com ninguém. Trata-se de uma escolha dele", disse Notari. O serviço de mensagens particulares, contudo, tem sido popular entre os detentos de Guantánamo. A Cruz Vermelha já entregou mais de 20 mil mensagens entre os presos e suas famílias desde que a base naval começou a ser utilizada para abrigar os detentos em janeiro de 2002, segundo a porta-voz. A Cruz Vermelha, que é ordenada pela Convenção de Genebra para visitar prisioneiros de guerra, é a única agência que tem permissão dos Estados Unidos para visitar os presos e checar suas condições. A agência se recusa a discutir detalhes sobre seus contatos com os presos, mas discute os problemas com seus captores na esperança de melhorar a situação. As mensagens enviadas pela Cruz Vermelha têm o intuito de promover a troca de notícias pessoais e familiares e os prisioneiros têm o direito de informar onde eles estão presos. Contudo, autoridades americanas podem censurar as mensagens para remover longos discursos políticos e outros desvios. Lista de detentos A lista divulgada pelo Pentágono, sob ordem do tribunal, incluía os nomes e as nacionalidades de atuais e ex-prisioneiros em Guantánamo. Atualmente existem na base naval cerca de 490 detentos, de 40 países. Os Estados Unidos afirmam que quase todos os presos são combatentes inimigos, mas eles vêm de uma variedade de locais e situações. Somente alguns enfrentam acusações formais. "Inicialmente a maioria das pessoas levadas para Guantánamo eram combatentes capturados nos campos de batalha no Afeganistão, onde você poderia supor que se trata de um prisioneiro de guerra a não ser que um tribunal competente decida o contrário", afirma Notari. A Cruz Vermelha pede que "os presos que ainda estão em Guantánamo sejam indiciados e julgados, libertados ou colocados em um rede legal que determine a continuidade de sua detenção". A porta-voz apontou que a Convenção de Genebra proíbe a exposição de prisioneiros de guerra à "curiosidade pública", ou humilhação, mas a lista publicada nesta semana não foi um problema, segundo ela.

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