EFE
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Justiça manda fechar centros catalães de votação e bloqueia sites separatistas

Autoridades ordenam à Guarda Nacional que impeça plebiscito pró-independência em locais públicos a uma distância inferior a 100 metros de colégios e centros cívicos; governo local diz que população votará em massa e pacificamente

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 11h38
Atualizado 26 Setembro 2017 | 21h03

BARCELONA - A Guarda Civil catalã recebeu uma ordem da Promotoria local para fechar até sábado escolas e centros cívicos que seriam usados para a votação do plebiscito pela independência da região, programado para o domingo. A consulta é considerada inconstitucional pelo governo de Madri, que nesta terça-feira, 26, conseguiu o bloqueio judicial de 140 sites separatistas.

A direção da Guarda Civil vê com preocupação as ordens para impedir o funcionamento de mesas eleitorais. A medida proíbe ainda a votação em locais públicos a uma distância inferior a 100 metros dos centros de votação. A polícia catalã, subordinada ao governo central, começou a identificar os responsáveis pelos colégios eleitorais. A tendência é que os locais sejam fechados após as aulas de sexta-feira. 

Raúl Romeva, responsável pelas relações exteriores do governo da Catalunha, disse que os catalães sairão para votar em massa, pacificamente, apesar do reforço policial para impedir o plebiscito, da apreensão de material eleitoral e da dissolução do organismo de supervisão da consulta popular. “Cada vez que eles tentaram impedir algo, nós encontramos uma solução. Podemos garantir que há o necessário para votar. As cédulas podem ser impressas quantas vezes seja necessário e há urnas e colégios eleitorais”, afirmou Romeva. 

A Catalunha tem cerca de 5,5 milhões de eleitores. A maioria deles deseja votar na consulta, embora exista uma divisão sobre a questão da independência.

Entre os sites bloqueados por uma ordem judicial ontem está o da Assembleia Nacional Catalã (ANC), uma das principais organizações que apoiam a consulta, e o do Alerta Solidário, grupo de esquerda independentista. Os sites foram tirados do ar em cumprimento a uma resolução do Superior Tribunal catalão, que autorizou a desativação das páginas que apoiam a votação. 

Nos sites, aparece o emblema da Guarda Civil e a mensagem: “Este domínio foi interceptado e está à disposição judicial”. Desde que o Tribunal Constitucional ordenou a suspensão do plebiscito, a Justiça espanhola atua para impedir a consulta. Semana passada, 14 funcionários do governo catalão foram presos por organizar a consulta.

A crise entre as autoridades da Catalunha e da Espanha é o último episódio de uma história complicada entre a região e o poder central. Os separatistas, no comando da Catalunha, têm se comparado com a 2.ª República espanhola (1931-1936) sufocada pelo general Francisco Franco e suas tropas depois de três anos de guerra civil. 

Em manifestações recentes, na Catalunha, ouviu-se o grito “Não passarão!”, famoso slogan antifascista da Guerra Civil da Espanha. O ex-premiê espanhol socialista Felipe González pediu aos separatistas que desistam do plebiscito e reconheceu que a Espanha enfrenta uma excepcional crise de Estado, “a maior dos últimos 40 anos”. 

Em visita à Casa Branca hoje, o premiê espanhol, Mariano Rajoy, pediu que as autoridades catalãs “usassem o senso comum” e desistissem de uma consulta “proibida”. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os catalães cometeriam uma “bobagem” caso se separassem da Espanha, um país “verdadeiramente grande, bonito e histórico”. / EFE, REUTERS e AFP

 

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