Guarda de elite do Irã defende testes nucleares

Um artigo elogiando a ideia de o Irã testar uma bomba nuclear, divulgado em um site da Guarda Revolucionária, gerou apreensão em círculos da inteligência ocidental, que podem interpretar isso como uma evidência de forte apoio da força de elite a esse tipo de ação.

AE, Agência Estado

09 de junho de 2011 | 11h15

Intitulado "Um dia após o primeiro teste nuclear iraniano - um dia normal", o artigo dá margem a suspeitas já existentes entre potências lideradas pelos Estados Unidos de que o Irã busca secretamente armas nucleares. Segundo o texto, o dia após o primeiro teste nuclear do país será normal, mas para muitos haverá um "novo brilho", vindo do "poder e da dignidade da nação".

O artigo foi publicado no site Gerdab, controlado pela Guarda Revolucionária. Uma tradução do texto foi fornecida à Associated Press por um funcionário ocidental, que pediu anonimato.

O governo iraniano nega desejar armas nucleares, porém recusa-se a interromper seu programa nuclear, afirmando que possui apenas fins pacíficos e tem internacionalmente o direito de manter tal programa. Teerã já sofreu quatro rodadas de sanções no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) por seu programa nuclear.

Ontem, o Irã anunciou que em breve instalará equipamentos mais avançados, para poder enriquecer urânio mais rápido e a níveis maiores. O país pretende enriquecer urânio a 20% de pureza, porém para o uso em armas é preciso obter urânio a 90% de pureza.

David Albright, do Institute for Science and International Security, entidade que monitora países que podem produzir armas nucleares, avaliou que o texto reflete o fato de que ao menos algumas importantes facções da poderosa Guarda Revolucionária apoiam um teste do tipo, mesmo que o artigo não reflita a posição do governo iraniano como um todo. "Isso pode refletir um debate interno", comentou. As informações são da Associated Press.

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