Guarda Nacional dispersa à força manifestação anti-Chávez

Os cerca de 9 mil membros da Polícia Metropolitana (PM) de Caracas permaneciam dividos hoje enquanto a Guarda Nacional dispersava com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que haviam bloqueado as principais avenidas do leste da cidade em protesto contra a intervençãomilitar no comando da PM.Apesar da intervenção da Polícia Metropolitana, o novo chefe designado da PM, Gonzalo Sánchez, não havia conseguido convencer os policiais a reconhecerem sua autoridade. Grande parte do comando policial insistia em atender somente a Henry Vivas como o verdadeiro chefe da PM.Desde a noite de domingo, pelotões do Exército, apoiados por carros blindados, ocuparam dez delegacias da Polícia Metropolitana, mas Vivas continuava hoje dando ordens aos policiais desde uma unidade móvel que percorria as ruas de Caracas.O prefeito metropolitano de Caracas e líder opositor, Alfredo Peña, apresentou hoje um recurso legal pedindo a anulação da intervenção da PM. Ele alega que é a principal autoridade civil da capital, portanto o responsável pela polícia.A intervenção ocorreu após a decisão do governo, adotada na semana passada, de aumentar a vigilância militar em Caracas depois que violentos confrontos entre policiais e partidários de Chávez deixaram dois mortos e dezenas de feridos.O vice-presidente José Vicente Rangel condenou hoje o atentado de domingo à noite contra a rede de notícias Globovisión, oposta ao presidente Chávez, e anunciou que será feita uma investigação para encontrar os responsáveis. O diretor da TV, Alberto Federico Ravell, atribuiu rapidamente o incidente - a explosão de um artefato que atingiu três veículos que estavam no estacionamento da sede - à política adotada pela Globovisión e advertiu: "Não nos assustarão".A Venezuela enfrenta uma grave crise política - a pior desde o frustrado golpe de Estado de abril -, com uma extrema polarização a favor e contra Chávez. Os meios privados de comunicação locais mantêm uma dura confrontação com o presidente que, por sua vez, manteve fortes discussões com os proprietários dos meios de comunicação e seus opositores.O atentado de domingo é o segundo contra a Globovisión e o quarto em menos de uma semana em Caracas. Os três artefatos anteriores explodiram nas sedes de grupos opositores como a Central Trabalhista Venezuelana e a organização empresarial Fedecámaras, mas também na residência do arcebispo de Caracas, cardeal Ignacio Velasco.Em meio à agitação social e às tensões, 3 pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas hoje por causa de um incêndio no centro de Caracas provocado pela explosão de fogos de artifício, informou o Corpo de Bombeiros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.