Michael Perez/AP Photo
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Filadélfia decreta toque de recolher após ser tomada por protestos contra morte de jovem negro

Walter Wallace Jr., de 27 anos, foi morto a tiros por dois policiais

Robert Klemko, Katie Shepherd, Maura Ewing, The Washington Post

28 de outubro de 2020 | 10h00
Atualizado 29 de outubro de 2020 | 18h03

A cidade americana da Filadélfia, sacudida por saques e protestos violentos após a morte de um homem negro nas mãos da polícia, anunciou nesta quarta-feira, 28, um toque de recolher.

A restrição valerá entre as 21 horas desta quarta-feira e as 6 horas de quinta-feira, ambas no horário local, anunciou o prefeito Jim Kenney em um pronunciamento ao lado de outras autoridades.

A decisão foi comunicada no site do governo municipal depois que o presidente republicano, Donald Trump, culpou o prefeito democrata pela violência.

"O que vejo é terrível e, francamente, o prefeito ou quem quer que seja que autoriza às pessoas se manifestar e saquear sem detê-las é igualmente terrível", disse Trump em Las Vegas, durante ato de campanha a seis dias da eleição presidencial.

O  governador da Pensilvânia, Tom Wolf, havia autorizado a Guarda Nacional a enviar tropas na terça-feira para ajudar a polícia a proteger a propriedade e reprimir a agitação na maior cidade do Estado.

A tensão tomou as ruas da Filadélfia desde o assassinato de Walter Wallace, de 27 anos, pela polícia, na última segunda-feira. Wallace estava armado com uma faca em um confronto com agentes da lei. Segundo familiares, ele sofreu um colapso mental.

A polícia da Filadélfia fez 172 prisões e 53 policiais ficaram feridos em duas noites de protestos que foram marcados por saques ostensivos em lojas e empresas – algumas delas que ainda se recuperavam dos últimos distúrbios do meio do ano.

Entenda o caso

Wallace morreu na segunda-feira depois que dois policiais da Filadélfia atiraram nele várias vezes enquanto respondiam a uma ligação denunciando um homem com uma faca. Sua família disse que ele sofria de problemas de saúde mental, que seus médicos vinham tratando com medicamentos. 

Um advogado da família disse à Associated Press na terça-feira que os parentes de Wallace haviam chamado uma ambulância para levá-lo ao hospital para cuidados médicos, mas a polícia apareceu.

Um vídeo do encontro fatal levantou questões sobre por que os policiais abordaram uma aparente crise de saúde mental com armas em punho e por que não tentaram primeiro subjugar Wallace com uma arma menos letal, como um taser.

Pascale Vallee, uma estudante de pós-graduação de 34 anos que estuda saúde pública, disse que o assassinato de Wallace foi "vergonhoso". Ela disse que viu a morte dele como "a interseção de tantos ‘ismos’: racismo, capacitismo".

“Ele precisava de suporte social”, acrescentou ela, “não de balas”.

Um grande protesto também estourou em Nova York na noite de terça-feira, com manifestantes reunidos no Brooklyn. Pessoas quebraram vitrines em várias lojas e acenderam fogueiras, relatou o New York Daily News. 

Noite de tensão

De acordo com um comunicado do Departamento de Polícia da Filadélfia, pessoas começaram a saquear negócios perto das avenidas Castor e Aramingo, no norte da Filadélfia, pouco antes das 21h.

Policiais com cassetetes e grandes escudos assumiram uma postura agressiva contra os manifestantes e a mídia na terça-feira à noite. Dois adolescentes foram feridos a tiros.

Walter Wallace, pai do homem morto pela polícia na segunda-feira, denunciou o saque na noite de terça-feira. “Eles não estão ajudando minha família, eles estão mostrando desrespeito”, disse ao jornal Inquirer. “Parem com essa violência e caos. As pessoas têm negócios. Todos nós temos que comer. ” /Com agências

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