Guarda Revolucionária iraniana rejeita inspeções nucleares

Inspetores internacionais de energia nuclear serão barrados de todas as instalações militares do Irã não importa qual seja o acordo com as potências mundiais, disse neste domingo um comandante da Guarda Revolucionária iraniana. A declaração pode trazer dificuldades enquanto negociadores ainda tentam alcançar um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.

Estadão Conteúdo

19 de abril de 2015 | 16h29

O general Hossein Salami, vice-comandante da guarda, disse à uma rede de TV estatal que permitir a inspeção de instalações militares por estrangeiros é o equivalente a "ser vendido". A fala aumenta a tensão para as conversas entre o Irã e um grupo de seis nações em negociações que devem ser encerradas em 22 de abril em Viena.

"O Irã não vai se tornar um paraíso para espiões, não vamos estender o carpete vermelho ao inimigo", disse Salami.

O oficial afirmou que permitir que permitir que inspetores visitassem bases militares seria o mesmo que uma "ocupação" e exporia "os segredos militares e de defesa" do país.

"Significa humilhar uma nação", afirmou. "Nem nos sonhos deles eles vão receber permissão para inspecionar nem mesmo a mais comum instalação militar", acrescentou.

Inspeções do tipo, porém, já aconteceram no passado. Em 2005, o Irã permitiu que membros da agência nuclear das Nações Unidas visitassem o complexo militar de Parchin como uma medida para conquistar confiança. Novas visitas, porém, foram banidas, com medo de espionagem.

Uma lista de pontos do acordo preliminar firmado pelo Departamento de Estado norte-americano afirmava que seria exigido do Irã a garantia de acesso da ONU a quaisquer "endereços suspeitos". O Irã questionou este e outro ponto. O país até o momento se recusou a apresentar sua própria lista de pontos sobre o acordo preliminar, mas disse que aceitaria inspeções pontuais de instalações civis.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse neste domingo que as alegações de que o país estava tentando desenvolver armas nucleares são um mito e apontou os EUA e Israel como as reais ameaças à segurança no Oriente Médio. As observações foram feitas por ocasião do Dia do Exército anual no Irã. Khamenei exortou as tropas a aumentar a sua prontidão defensiva. O discurso refletiu o estado de tensão das relações entre a liderança iraniana e os EUA.

"Eles fabricaram o mito da arma nuclear para dizer que a República Islâmica é uma ameaça", disse Khamenei, de acordo com seu site oficial. "Não! A ameaça são os EUA, que cometem interferências causadoras de insegurança, sem qualquer controle."

Os países ocidentais há muito afirmam que as atividades de desenvolvimento nuclear do Irã têm como objetivo produzir armas nucleares. O Irã sempre insistiu em que suas atividades são para fins pacíficos. Fonte: Associated Press.

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