Luis Soto/Associated Press
Luis Soto/Associated Press

Guatemala condena ex-militar a mais de 5 mil anos de prisão

Aos 66 anos de idade, Santos López Alonzo foi acusado de violação dos direitos humanos e de assassinato pela morte de 171 pessoas em um massacre no norte do país em 1982

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2018 | 11h59

CIDADE DA GUATEMALA - Um tribunal guatemalteco condenou na quarta-feira, 21, o ex-militar Santos López Alonzo a 5.130 anos de prisão pelo assassinato de 171 pessoas durante um massacre no norte da Guatemala em dezembro de 1982. O ex-militar foi deportado em 2016 dos Estados Unidos, para onde havia fugido, e cumprirá no máximo 50 anos de sentença, o tempo permitido pela lei.

A poucos dias de se completar 36 anos do massacre de Dos Erres, comunidade no departamento de Petén, o tribunal definiu que López Alonzo, de 66 anos, violou os direitos humanos e é culpado por assassinato. Também o condenou pelo crime de supressão e alteração de estado civil, porque sequestrou e adotou um garoto de cinco anos que teve a sua família morta no episódio.

A acusação especificou que, durante a guerra que atingiu a Guatemala entre 1960 e 1996, o acusado integrou uma patrulha de um grupo militar de elite (cujos membros eram chamados de Kaibiles). López Alonzo chegou a Dos Erres em busca de armas que uma célula guerrilheira havia roubado do Exército. Segundo a hipótese da promotoria, em outubro de 1982 a guerrilha emboscou um grupo militar, num episódio em que houve 22 baixas e no qual as forças estatais perderam um arsenal. Os militares chegaram em Dos Erres buscando as armas. Como não as encontraram, estupraram mulheres e meninas, mataram os homens e jogaram os seus corpos em um poço.

López Alonzo sustentou ser inocente das acusações. Em 2016, disse em uma entrevista à Associated Press que era padeiro no Exército e que, no dia dos assassinatos, mandaram que ele montasse guarda enquanto outros cometiam os crimes.

A guerra na Guatemala deixou 200 mil mortos e 45 mil desaparecidos, segundo relatório das Nações Unidas. O documento afirma que o Exército e grupos paramilitares foram os responsáveis por pelo menos de 97% das mortes, enquanto que o restante foi responsabilidade da guerrilha. / AP

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