Guatemala diz que, com Venezuela, CS da ONU será inútil

O presidente da Guatemala, Óscar Berger, alertou para o que considera o panorama sombrio para o Conselho de Segurança da ONU caso a Venezuela seja eleita como membro rotativo, que será desocupado pela Argentina. "Se for a Venezuela (o país eleito) temo que o Conselho de Segurança não servirá para mais nada", disse ele nesta quinta-feira.Países que são contra a eleição da Venezuela para a vaga rotativa entre os 15 membros do Conselho alegam que a presença de um representante do governo de Hugo Chávez levaria alguns países a não apresentarem seus casos perante o órgão."O secretário (geral da ONU, Kofi) Annan me disse pessoalmente que, se a Venezuela entrar no Conselho de Segurança teríamos muitos problemas pois as grandes potências fariam o que achassem melhor, sem passar pela ONU, o que seria dramático?, afirmou Berger, em entrevista à BBC Mundo.O presidente Berger afirmou que já tem assegurados 110 votos dos 127 necessários para que seu país seja eleito para a vaga rotativa do Conselho.Espanha Estados Unidos, México, Canadá, Colômbia e Peru estão entre os que já falaram publicamente que apóiam a candidatura guatemalteca.Por sua vez, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já agradeceu o apoio ?em bloco do Mercosul?, do Caricom (o mercado comum caribenho), Liga Árabe e de "quase toda a África"."Estamos muito agradecidos - apesar do voto ser secreto - com o fato de o Mercosul ter se pronunciado em bloco pela Venezuela, o Caricom, a Liga Árabe, quase toda a África, Rússia, China. Existem muitos outros países soberanos, no Oriente Médio, quase todos os países votam pela Venezuela."Óscar Berger afirmou que a Venezuela está pressionando membros da ONU a apoiarem sua candidatura. ?Temos informações de que a Venezuela, como quinto maior produtor de petróleo do mundo, não está somente participando nos eventos internos de cada país, mas também exercendo pressões em troca de vantagens na compra de petróleo, para conseguir votos?, acusou Berger."Diabo" Nesta quarta-feira, Hugo Chávez fez um discurso agressivo em relação ao presidente americano George W. Bush, a quem chamou de "diabo".Para Berger, a declaração do líder venezuelano é "pouco séria para as Nações Unidas, mas respeitamos. Ele fará o que achar conveniente para conseguir votos ou para estar presente na opinião pública".Quando perguntado se poderia garantir a independência do Conselho de Segurança frente aos Estados Unidos, Berger respondeu: "Absoluta independência, acredito que estamos muito equilibrados, somos defensores absolutos de um mundo mais justo, um mundo de paz".

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