Guatemala escolhe presidente após campanha com 50 mortos

País com 13 milhões de habitantes tem uma altíssima taxa de homicídio, com quase 6 mil mortes em 2006

MICA ROSENBERG, REUTERS

09 de setembro de 2007 | 11h42

A Guatemala vota neste domingo para escolher um novo presidente depois de uma campanha marcada pela mais grave violência política desde o final da guerra civil do país, em 1996.Os dois principais candidatos - o ex-general Otto Perez Molina, de direita, e o empresário de centro-esquerda Alvaro Colom - não deverão conseguir a maioria dos votos para garantir a vitória no primeiro turno, e a segundo está programado para novembro.Perez Molina, chefe da inteligência militar durante a guerra civil (1960-1996), passou Colom nas últimas pesquisas, capitalizando os resultados da violência com sua mensagem de "pulso forte" contra o crime a corrupção.A Guatemala, ponto de passagem para a cocaína colombiana através da América Central no caminho para os Estados Unidos, tem uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, com quase 6 mil mortes no ano passado no país de 13 milhões de habitantes. O sistema de justiça inepto deixa a maioria dos crimes sem solução."Nossa proposta é aumentar gradualmente o número de policiais", disse Perez Molina na sexta-feira, antes do final oficial da campanha. "Mas até que isso aconteça, vamos ter que usar o exército para patrulhar as ruas." Ele apóia a pena de morte e afirma que o governo deveria declarar estado de emergência em áreas tomadas pelos traficantes de drogas e membros de gangues, acusados de autoria das mortes.Colom, ex-vice ministro da Economia, afirma que a eleição de Perez Molina seria um passo atrás para os dias negros da guerra civil na Guatemala, que deixou quase 250.000 mortos.Um relatório com apoio das Nações Unidas culpou o exército por 85 por cento das mortes. Muitas vítimas eram civis maias.No período de um mês antes do segundo turno os dois principais candidatos tentaram atrair o apoio de eleitores da coalizão conservadora Gana, do presidente Oscar Berger, cujo candidato, Alejandro Giammattei, está em terceiro nas pesquisas. Perez Molina deve atrair a maior parte destes eleitores. A União Nacional por Esperança, de Colom, perdeu 18 ativistas em ataques durante a campanha. No total, 50 pessoas morreram.Grande parte da violência foi causada por poderosos barões das drogas que tentaram eleger seus candidatos à força. O país também elege neste domingo um novo congresso e centenas de autoridades locais.Na região pobre do leste do país muitos suspeitos de tráfico estão concorrendo a cargos públicos em esforço para controlar rotas importantes do comércio de drogas.

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