Guatemala suspende julgamento de ex-ditador por genocídio

Efraín Ríos Montt responde pelo massacre de 1.770 indígenas maias durante seu governo, entre 1982 e 1983

CIDADE DE GUATEMALA, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2013 | 02h04

A Justiça da Guatemala suspendeu o início do julgamento do ex-ditador do país Efraín Ríos Montt, acusado de genocídio. O general teria assassinato 1.770 indígenas enquanto esteve à frente do governo do país centro-americano, entre 1982 e 1983. A suspensão teria caráter temporário e, até ontem, a nova data para o começo do procedimento não havia sido anunciada.

Com 86 anos, Ríos Montt será julgado pelo massacre de maias ocorrido no Departamento de Quiché, no norte da Guatemala, em uma das mais sangrentas fases da guerra civil que o país enfrentou entre 1960 e 1996. O anúncio de que o ditador sentaria no banco dos réus foi comemorado por ONGs e organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

De acordo com o relatório de uma comissão da verdade instaurada pela ONU em fevereiro em 1999, cerca de 200 mil pessoas morreram ou desapareceram durante os 36 anos de repressão. O relatório define o que ocorreu na Guatemala como um "genocídio", especialmente sangrento após 1982, quando Ríos Montt tomou o poder em um golpe de Estado.

Um ex-integrante da cúpula militar do ditador, o general reformado José Rodríguez, também é processado pelas mortes de indígenas ocorridas durante o governo de Ríos Montt.

O início do julgamento foi adiado após a Justiça acatar um pedido da defesa de Ríos Montt para que depoimentos de peritos indicados pelos seus advogados fossem aceitos durante a fase de debates, prevista para começar no dia 19. A decisão do juiz Miguel Angel Galvéz de não aceitar as considerações dos especialistas foi derrubada. / AFP

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