REUTERS/Luis Echeverria
REUTERS/Luis Echeverria

Guatemala tem dificuldade para identificar vítimas do Vulcão de Fogo, que registra nova atividade

Calor intenso dos fluxos vulcânicos destruíram características e marcas digitais das vítimas; serviço científico do país afirma que atividade do vulcão deve diminuir

O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 12h00
Atualizado 06 Junho 2018 | 00h45

EL RODEO, GUATEMALA - A Defesa Civil da Guatemala informou nesta terça-feira que ao menos 75 pessoas morreram vítimas do Vulcão de Fogo, mas apenas 17 foram identificadas. Pelo menos 192 pessoas estão desaparecidas. A dificuldade em reconhecer os corpos é consequência das temperaturas altas dos detritos vulcânicos, que tornam a maioria dos corpos irreconhecíveis. Área é esvaziada após registro de nova atividade

"É muito difícil para nós identificá-los, porque alguns perderam suas características ou impressões digitais", disse o diretor do Instituto Nacional de Ciências Forenses, Fanuel García. "Vamos ter de recorrer a outros métodos e, se possível, coletar amostras de DNA para identificá-los", acrescentou. A erupção surpreendeu moradores de aldeias remotas na região da montanha, deixando pouco ou nenhum tempo para que os habitante fugissem para locais seguros.

"Já temos nomes e localidades onde há pessoas desaparecidas e um número: 192", disse em entrevista coletiva o secretário da Coordenadoria para a Redução de Desastres (Conred), Sergio Cabañas.

Na noite de segunda-feira, 4, pessoas choravam sobre caixões enfileirados no principal parque de San Juan Alotenango. Como não há eletricidade nas áreas mais atingidas de Los Lotes e El Rodeo, os trabalhos de buscas param ao pôr do sol.

Trabalhadores de emergência utilizam pás e retroescavadeiras para vasculhar os destroços e a lama, enquanto o terreno ainda está quente o suficiente para derreter solas de sapatos. Alguns corpos encontrados estavam tão cobertos de cinzas que pareciam estátuas. Equipes de resgate precisaram usar marretas para atravessar telhados de casas enterradas em destroços e checar se havia sobreviventes do lado de dentro.

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A guatemalteca Hilda López disse que sua mãe e irmã ainda estavam desaparecidas depois que a mistura de gás quente, cinzas e pedras vulcânicas atingiu sua aldeia em San Miguel Los Lotes, localizada abaixo dos flancos da montanha.

"Estávamos em uma festa, comemorando o nascimento de um bebê, quando um dos vizinhos gritou para que nós saíssemos e pudéssemos ver a lava que estava chegando", relembrou. "Nós não acreditamos e, quando saímos, a lama quente já estava descendo pela rua."

Ela relatou que a mãe ficou presa dentro do local. O marido de Hilda, Joel González, disse que seu pai também não conseguiu escapar e acredita que ele tenha ficado enterrado na parte de trás da casa.

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O porta-voz da Coordenadoria Nacional para Redução de Desastres (Conred), David de León, informou que o vulcão entrou em erupção por volta do meio-dia de domingo (15 horas em Brasília), lançando fumaça e cinzas no céu.

Então, por volta das 14 horas (17 horas horas em Brasília), uma explosão maior aconteceu. Depois disso, fluxos de lava, cinzas, rochas vulcânicas e destroços jorraram pelos flancos da montanha, bloqueando estradas e queimando casas. "(Os fluxos) andaram muito rápido. Chegaram às comunidades quando os alertas de desocupação foram enviados", disse León.

Mesmo diante dos efeitos rápidos da erupção, as autoridades locais se esforçaram para emitir avisos. No entanto, em lugares como Los Lotes e El Rodeo, a cerca de 12 quilômetros da cratera, os alertas chegaram tarde demais. As ruas e residências foram atingidas pelos materiais sólidos que chegaram a 700ºC e pelas cinzas e gases vulcânicos, que podem causar asfixia muito rapidamente.

"Assim que rebemos a informação, por volta das 6 horas (9 horas de Brasília) de que o vulcão estava em fase eruptiva, o protocolo foi iniciado para verificar com diferentes setores e também para falar com as comunidades e seus líderes", disse León. 

Em El Rodeo, soldados armados e usando máscaras azuis faziam guarda para isolar as cenas do desastre. Trabalhadores transportavam corpos para longe dali em macas e a fumaça ainda subia em algumas partes do local, coberto por rochas e outros detritos. Equipes emergenciais de helicóptero conseguiram puxar pelo menos 10 pessoas vivas que estavam isoladas pelos fluxos vulcânicos. Segundo o Conred, 3,2 mil pessoas saíram de suas casas. / AP

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