Guatemala volta a ganhar da Venezuela, mas vaga no CS continua indefinida

Após dez tentativas frustradas de definir um substituto para a Argentina como membro não permanente no Conselho de Segurança (CS), a Assembléia Geral da ONU adiou para a terça-feira a escolha entre a Venezuela e a Guatemala para representar a América Latina e do Caribe no órgão. Na última rodada desta segunda-feira, a Guatemala manteve a liderança com 110 votos, frente a 77 da Venezuela. Apesar da diferença, o resultado não é suficiente para garantir a vitória da Guatemala, já que leva quem obtiver mais de dois terços dos votos. Os 192 países que formam a Assembléia Geral da ONU voltam a se reunir a partir das 11 horas da terça-feira, horário de Brasília, para seguir com o processo de escolha do país que representará a América Latina e o Caribe no Conselho de Segurança.Com o adiamento da decisão para a terça-feira, as delegações dos dois países terão várias horas para negociar apoio com outras nações.A Guatemala esteve a oito votos de levar a vaga durante as primeiras votações, mas seu rival chegou a empatar na sexta rodada.Os guatemaltecos, liderados pelo chancelar Gert Rosenthal, não deixaram de recorrer aos corredores da Assembléia para conquistar os dois terços dos votos necessários para conquistar o assento no principal órgão decisório da ONU. Já do lado venezuelano, foi o ex-chanceler Roy Chaderton quem articulou a tentativa de virada.Os centro-americanos triunfaram com margens cada vez maiores nas três primeiras rodadas, porém sem conseguir os dois terços requeridos. A partir daí, a tendência começou a se reverter, e na sexta rodada os sul-americanos conseguiram um empate. Nas últimas rodadas, no entanto, foi a vez da Guatemala retomar a dianteira. O total de votos necessários para a definição do vencedor varia segundo as abstenções. Até agora, esse número flutuou entre 124 e 128 sufrágios. Na terça-feira, os delegados continuarão a votar até que haja um vencedor.AtençãoAs outras quatro vagas rotativas do CS disputadas nesta segunda-feira ficaram com a Bélgica, Indonésia, Itália e África do Sul.Toda a atenção voltou-se, no entanto, para a disputa para a vaga Latino-americana. Isso porque o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, envolveu-se integralmente em uma campanha internacional para conquistar a vaga. Segundo Chávez, caso levasse o assento, a Venezuela utilizaria o foro para falar em nome dos países pobres e contra os Estados Unidos. Os americanos e aliados, por sua vez, argumentaram que a presença de um representante de Chávez no Conselho de Segurança poderia desestabilizar e minar a credibilidade do órgão.No domingo, Chávez acusou os EUA de utilizar "todo o seu operativo de guerra suja contra a Venezuela" em seu pleito pelo posto no conselho.Já o embaixador venezuelano na ONU, Francisco Arias Cárdenas, denunciou nesta segunda "pressões brutais" dos Estados Unidos a favor da Guatemala.Embora o voto seja secreto, várias nações apoiaram abertamente a Venezuela. Entre elas estão a Rússia, China, Irã, a União dos Estados Africanos, a Liga Árabe, grande parte do Caribe, Bolívia, Argentina, Brasil e Uruguai.Texto ampliado às 21h10

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