Guerra ao Iraque começa em fevereiro, diz jornal

A guerra contra o Iraque "começará no dia 21 de fevereiro à meia-noite", publicou hoje o jornal britânico Sunday Express, com base em um suposto diálogo telefônico entre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que desmentiu a informação. Segundo o jornal, "a data foi confirmada por altos funcionários do Ministério da Defesa britânico, mas um porta-voz de Sharon disse que não houve nenhum telefonema entre os dois líderes no dia de Natal", conforme publicou o Sunday Express. Coincidindo com a divulgação da informação, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, cancelou hoje uma visita que faria aos EUA em março. De acordo com o jornal britânico The Mail on Sunday, funcionários da Casa Branca lhe haviam enviado uma mensagem sugerindo o cancelamento da visita para evitar uma situação constrangedora. Funcionários do governo Bush temiam que a visita de Charles, contrário a um eventual ataque ao Iraque, coincidisse com o início da guerra. Segundo o jornal, a ousadia dos EUA causou grande agitação diplomática entre os dois países aliados. Intensificando ainda mais a idéia de um breve ataque contra o Iraque, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, advertiu hoje, em entrevista à tevê NBC, que a crise com Bagdá "não pode durar indefinidamente" e Washington já está se preparando para atuar. Powell acrescentou que os EUA apenas esperam obter informações adicionais do chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, antes de tomar qualquer decisão. Após vários meses de dúvidas, a Arábia Saudita anunciou hoje que permitirá aos Estados Unidos utilizarem bases em seu território e seu espaço aéreo no caso de um conflito com o Iraque, informou hoje o jornal The New York Times. Já a ministra francesa de Defesa, Michele Alliot-Maire, reiterou ontem que sem uma resolução da ONU, fica excluída a possibilidade de a França participar de uma operação militar no Iraque. "A guerra é sempre a pior solução. É necessário fazer todo o possível para evitá-la e principalmente forçar o Iraque a respeitar as decisões da ONU e a eliminar suas armas de destruição em massa", disse Alliot-Marie, que também pediu ajuda dos países árabes para alcançar esse objetivo. Um dia após receberam uma lista com mais de 500 nomes de cientistas ligados a antigos programas de destruição em massa, os inspetores de armas da ONU visitaram hoje três locais suspeitos no Iraque. De acordo com fontes iraquianas, os inspetores foram a duas empresas em Bagdá - a companhia de engenharia e de construção Saad, que já havia sido inspecionada no dia 16, e a companhia Ezz, que as autoridades iraquianas descrevem como especializada na fabricação de equipamentos eletrônicos - além de um prédio da alfândega. O jornal britânico The Sunday Times, por sua vez, informou que a ex-república soviética da Bielo-Rússia surgiu como possível refúgio para Saddam Hussein depois de funcionários norte-americanos indicarem que o líder iraquiano poderia ter permissão de se exilar para evitar uma invasão dos EUA a Bagdá.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.