Guerra ao Iraque não tem justificativa, diz organização

A guerra no Iraque pôs fim a um regime brutal mas não havia em curso violações dos direitos humanos num nível que justificasse a invasão liderada pelos EUA. A avaliação é do Human Rights Watch, em seu relatório anual. Apesar de Saddam Hussein ter um histórico de atrocidades, suas piores ações ocorreram bem antes da guerra e não havia iminentes ameaças de assassinatos em massa no Iraque quando o conflito teve início, disse o grupo. O presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, citaram a ameaça das supostas armas de destruição em massa de Saddam como a principal justificativa para a guerra. Mas com as forças de ocupação não conseguindo encontrar provas da existência de tais armas, os dois líderes têm sublinhado a brutalidade do regime quando defendem a intervenção militar. Entretanto, a Human Rights Watch afirmou que a alegação não se sustenta. "A administração Bush não pode justificar a guerra no Iraque como uma intervenção humanitária, e nem pode Tony Blair", afirmou o diretor-executivo Kenneth Roth. Atrocidades como o assassinato em massa de curdos em 1988 por Saddam justificariam uma intervenção humanitária, segundo Roth. "Mas tais intervenções deveriam ser reservadas para parar uma matança iminente ou em curso", acrescentou. "Elas não deveriam ser usadas posteriormente para tratar de atrocidades que foram ignoradas no passado". O Relatório 2004 da Human Rights Watch, de 407 páginas, também afirma que a administração Bush está aplicando "regras de guerra" na luta contra o terrorismo global e negando a supostos terroristas seus direitos. Ele sugere que "regras policiais" de imposição das leis deveriam ser usadas em tais casos. O grupo baseado em Nova York também denunciou que governos europeus e outros estão ignorando abusos dos direitos humanos no conflito na Chechênia, que a Rússia apresenta como sua contribuição à guerra mundial contra o terrorismo. A pequisa anual do grupo de direitos humanos foi divulgada pela primeira vez este ano na Grã-Bretanha.

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