Guerra ao terror corrói os direitos humanos, diz Anistia

Os Estados Unidos e seus aliados estão desprezando os direitos humanos em sua luta cega contra o terrorismo, tornando o mundo mais perigoso, alerta a Anistia Internacional. Irene Khan, secretária-geral do grupo de defesa dos direitos humanos, disse que os abusos cometidos contra prisioneiros iraquianos pelas tropas americanas foram uma conseqüência lógica da política da administração George W. Bush, de "selecionar as partes da lei internacional que está disposta a aplicar e fazer uso delas onde" for mais conveniente.Khan condenou os ataques extremistas de grupos como a Al-Qaeda, mas considerou que a resposta da coalizão liderada pelos EUA provoca a maior erosão continuada dos direitos humanos e das leis internacionais dos últimos 50 anos. "Como estratégia, a guerra contra o terror é uma falta completa de visão e princípios", disse Khan ao lançar em Londres a avaliação anual sobre direitos humanos da Anistia Internacional."Sacrificar direitos humanos em nome da segurança nacional, fazer vistas grossas a abusos no exterior e usar força militar preventiva onde e quando o poderoso escolhe agir tem causado danos à justiça e à liberdade, além de tornar o mundo um lugar mais perigoso e dividido", acrescentou.Questionado sobre o relatório da Anistia, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan retrucou: "Eu o rejeito!""A guerra contra o terrorismo tem protegido os direitos humanos de cerca de 25 milhões de pessoas no Afeganistão e outras 25 milhões de pessoas no Iraque", argumentou ele, em Washington.

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