'Guerra ao terror' foi errada, diz chanceler britânico

Ministro de Relações Exteriores rejeita noção de que combate seja feito somente por meios militares

Agência Estado e Dow Jones,

15 de janeiro de 2009 | 05h24

O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, declarou que a ideia de uma "guerra ao terror" foi "enganosa e errada", numa crítica aberta a um tema-chave da política externa do presidente dos EUA, George W. Bush. Num artigo publicado na edição desta quinta-feira, 15, do jornal britânico The Guardian, Miliband disse que a expressão "guerra ao terror" transmitiu a ideia de um inimigo unificado, personificado por Osama bin Laden e pela Al-Qaeda, e também encorajou uma resposta basicamente militar a problemas cuja solução os principais generais admitiam que o Ocidente não poderia encontrar.   "A realidade é que as motivações e identidades dos grupos terroristas são díspares", escreveu Miliband, que está na Índia. "Quanto mais colocamos juntos os grupos terroristas e traçamos as linhas de batalha como uma simples luta binária entre moderados e extremistas, ou bem e mal, mais fazemos o jogo dos que querem unificar grupos que pouco têm em comum", acrescentou.   Miliband rejeitou a noção de que o combate ao extremismo violento só pode ser feito por meios militares. "Como o general (David) Petraeus (dos EUA) disse para mim e para outros no Iraque, a coalizão não poderia resolver os problemas de insurgência e guerra civil".   Ele argumentou que apenas a cooperação entre os Estados pode quebrar as redes terroristas. Miliband observou que, se Índia e Paquistão puderem resolver a disputa pelo Caxemira, os extremistas da região ficarão sem um de seus principais apelos em favor da luta armada.   O ministro britânico acrescentou que os países democráticos não devem abandonar seus valores, citando o campo de detenção militar de Guantánamo, em Cuba. "Devemos responder ao terrorismo pelo triunfo do Estado de Direito, não o subordinando, para que ele seja o pilar da sociedade democrática."

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