Guerra atinge campanha eleitoral argentina

Largo sorriso, roupa de golfe, rifle em punho e capacete de guerra. É assim que aparece o ex-presidente Carlos Menem nos novos cartazes espalhados pela capital argentina, a 39 dias das eleições presidenciais e na contagem regressiva para o iminente ataque contra o Iraque. Junto ao cartaz, a frase: "sigam-me que vamos a outra guerra no Iraque". Hoje presidenciável, Menem mandou em 1991, durante a guerra do Golfo Pérsico, dois navios com marinheiros argentinos para apoiar os Estados Unidos naquela guerra. Agora, ele diz que condena os terroristas, é pela paz, mas não descarta que respaldaria a decisão de George W. Bush. "Não podemos ser neutros".De acordo com diferentes pesquisas de opinião, a maioria dos argentinos (cerca de 70%) condena o ataque contra o Iraque. Um motivo suficiente para que o assunto tenha entrado na agenda de debate e de promessas dos cinco principais candidatos à sucessão do presidente Eduardo Duhalde.Na TV Crônica, a União Cívica Radical (UCR) mandou escrever em letras garrafais: "USA os dólares para terminar com a fome no mundo. A guerra é imoral". "USA" foi a maneira que encontraram para criticar os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, com Menem - mesmo tendo maior índice de rejeição - entre os preferidos para chegar à Casa Rosada, na posse marcada para 25 de maio, todos os candidatos decidiram aproveitar a guerra, reforçando seus ataques ao ex-presidente. "Votar em Menem é o mesmo que ir à guerra", diz a deputada Elisa Carrió, candidato do Ação por uma República de Iguais (ARI). "Somos nacionalistas e defendemos a paz. Nada de guerra é nosso lema", completa Adolfo Rodríguez Saá.Saá, como o ex-presidente, é do dividido Partido Justicialista, que pela primeira vez na história chega a uma eleição com três candidatos. O terceiro peronista, nesta corrida eleitoral, é o governador da província de Santa Cruz, na Patagônia, Nestor Kirchner. Na batalha para conseguir votos, Menem lançou na sua página de internet ironias dirigidas a outro peronista, o presidente Eduardo Duhalde. Entre elas estão provocações como: "Na minha época, comprava-se casa com crédito com quinze anos de prazo. Agora, é a vista". E ainda: "Na minha época, a pobreza não atingia a 53% da população". A expectativa é de que mesmo depois da eleição, em 27 de abril, este conflito entre Menem e Duhalde vá continuar.

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