Guerra civil síria 'levará tempo', alerta Assad

Presidente da Síria afirma em rara entrevista que luta contra rebeldes se estenderá e governo 'sabia' de deserções

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h07

Em uma entrevista à um canal privado sírio ontem, o presidente Bashar Assad reconheceu que seu governo não conseguirá acabar com a insurgência na Síria em breve e a guerra civil "levará tempo". Assad disse ainda que tinha informações sobre autoridades que planejavam desertar, mas resolveu não agir pois "defecções são um processo positivo".

Foi a primeira vez que o líder sírio falou abertamente que, mesmo com poder largamente superior ao dos rebeldes, as forças do regime não restabelecerão a ordem no país tão cedo. Nos últimos meses, a rebelião síria estendeu-se a cidades que até então passavam à margem dos combates, como Damasco e Alepo. O regime, assim, teve de começar a lutar, simultaneamente, em vários fronts.

"Estamos lutando uma guerra regional e global, portanto é preciso de tempo para vencê-la", disse Assad à TV privada Dunya, pertencente a um primo do ditador e fortemente alinhada ao regime. "Estamos avançando. A situação na prática está melhor, mas não foi ainda decidida. Isso leva tempo."

O presidente sírio falou pela primeira vez sobre as deserções de seu regime, que incluíram militares de alto escalão e um primeiro-ministro. "Defecções são um processo positivo, uma autolimpeza do Estado", afirmou. "Se um cidadão sírio souber de alguém que quer fugir, mas está hesitando, deve encorajá-lo. Quem foge é fraco ou mau. Um patriota e uma pessoa boa não fogem."

Assad disse que, em algumas ocasiões, autoridades sírias sabiam que funcionários estavam prestes a desertar, mas não tentaram impedi-los. Ele não citou casos específicos. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.