JF Diório/Estadão
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Guerra colocou irmãos brasileiros em lados opostos

Paul Heinrich lutou com os alemães e Gerd Emil foi para a Itália com brasileiros

Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2019 | 05h00

A cultura germânica é passada de geração em geração na família de Gerd Emil Brunckhorst, brasileiro com ascendência alemã. Do seu apartamento em São Paulo, ele e a esposa Margareth se comunicam com filhos e netos em alemão.

Suas origens são responsáveis, indiretamente, pela sua participação na Campanha da Itália (1943-1945), com a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que enviou soldados para 2.ª Guerra. Do lado oposto, seu irmão caçula, Paul Heinrich Brunckhorst, foi convocado para lutar no Exército de Hitler.

Paul se mudou para a Alemanha para morar com um tio um ano antes do início da guerra, em 1938. “Ele nunca tinha passado de 1,50 m. Um problema glandular. Mas pensamos, ‘quem sabe a mudança de clima ajuda’. Nunca ajudou”, lembra Gerd. 

Por ser filho de alemães, o Terceiro Reich recrutou Paul para servir o país, aos 20 anos, em 1943. “Ele estava feliz, porque havia sido considerado apto para lutar”, conta Gerd. Após ser designado motorista, escreveu dizendo que havia sido destacado para a frente russa. E nunca mais deu notícias. 

Já Gerd, no ano seguinte, foi para Nápoles no primeiro navio brasileiro, em 2 de julho de 1944, compondo o Batalhão de Engenharia do 6.º Regimento de Infantaria, de São Paulo. “Eu queria ir. Queria provar que sou brasileiro a todo custo. Fiz questão.” 

A motivação de Gerd vinha da discriminação vivida no trabalho. A campanha antigermânica no governo de Getúlio Vargas fez com que ele fosse demitido da companhia de seguros onde trabalhava no Rio de Janeiro, no setor marítimo, com outros três alemães, por “ordens superiores”. 

Intérprete. Nos quatro meses em que ficou na Itália, como cabo, acompanhou oficiais do Exército servindo de intérprete de inglês e alemão. Gerd era trilíngue, após ter completado os estudos na Deutsche Schule de São Paulo, atual Porto Seguro. 

Ao ser afastado depois de um acidente enquanto montava o acampamento, com complicações no fêmur esquerdo, Gerd também serviu de intérprete nas bases hospitalares americanas onde ficou internado, antes de ser mandado de volta ao Brasil. “Uma enfermeira me levou até um soldado alemão machucado. ‘Vai lá, ele está tão sozinho’, ela me disse. Meus colegas brasileiros me incentivaram. Disseram que ele era um cara bacana.” 

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