Guerra com Síria está próxima, diz Turquia

Primeiro-ministro turco sobe o tom em discurso contra o regime sírio, diz que não busca conflito, mas que não blefará

ANCARA, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2012 | 03h04

A Turquia voltou a bombardear ontem a Síria após tiros de morteiros do país vizinho terem atingido seu território. Em meio à escalada de tensão na região, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o país "não está longe da guerra". A crise entre Ancara e Damasco se agravou na quarta-feira, quando um ataque vindo da Síria matou cinco civis turcos.

De acordo com a agência estatal Anatólia, os disparos vindos da Síria caíram 50 metros dentro do território turco, perto da vila de Asagipulluyaz, na Província de Hatay. Ninguém ficou ferido, mas, em resposta, tropas turcas responderam com fogo.

Foi o terceiro dia de ataques turcos à Síria. Na quinta-feira, o Parlamento da Turquia aprovou uma permissão para operações militares do Exército em território sírio como ferramenta de dissuasão.

Em Istambul, Erdogan subiu o tom das ameaças contra Damasco. "Não estamos em guerra, mas não estamos longe dela", disse. Mais cedo, o premiê pedira aos sírios para não testarem os limites e a determinação da Turquia. "Isso será um grave erro. Não estamos blefando."

Ditador. O premiê turco também fez duras críticas a Assad. "A nossa nação chegou até aqui após passar por guerras entre continentes e muitas lutas. Assim como a Turquia não deixou de reagir ao incidente em Ancakale, não ficará impassível política e diplomaticamente enquanto o regime de Assad massacra o próprio povo", disse Erdogan, em um evento com governadores das províncias turcas em Istambul.

"O governo do tirano (Assad) perdeu toda a legitimidade há muito tempo e perdeu também a chance de sobreviver. Será um erro mortal testar a capacidade de dissuasão da Turquia, bem como nossa capacidade e determinação."

Um funcionário do governo turco disse à agência Reuters que incidentes similares aos de ontem na fronteira têm ocorrido há pelo menos dez dias. Segundo ele, no entanto, o ataque de quarta-feira teve uma magnitude maior.

"Se eram tiros, respondíamos com tiros. Se eram bombas, respondíamos com bombas. Mas, até o ataque de Ancakale, não pensávamos que eram intencionais", disse a fonte. "Na quarta-feira, foi diferente. Houve cinco ou seis disparos no mesmo lugar. Por isso, reagimos."

De acordo com o canal de televisão turco NTV, o governo sírio proibiu helicópteros e aviões de ingressaram a menos de 10 quilômetros da fronteira com a Turquia.

Tropas terrestres foram orientadas a não disparar em áreas de fronteira. O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou, na quinta-feira, o ataque sírio à Turquia e pediu o fim das ações militares. / REUTERS E AP

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