Guerra contra terrorismo pode durar 30 anos

A chamada "guerra contra o terrorismo" tem muitas possibilidades de durar 30 anos ou mais, advertiu neste domingo a organização britânica de análise da segurança global Oxford Research Group. Em seu último relatório, o grupo assinala que as recentes mudanças na Administração dos Estados Unidos, com a vitória do Partido Democrata no Congresso não devem trazer alterações significativas nos conflitos no Iraque e Afeganistão. Nas circunstâncias atuais, a guerra contra o terror não deve ser encerrada em um curto período, a menos que os Estados Unidos mudem profundamente o enfoque de sua política internacional. Segundo Paul Rogers, professor de Estudos da Paz na Universidade de Bradford (norte da Inglaterra) e um dos autores da pesquisa, os EUA enfrentam um dilema: se saírem do Iraque, os grupos "jihadistas" poderiam operar "sem controle" em uma região "com grandes jazidas de petróleo". Mas se, por outro lado, decidir ficar no país árabe, suas tropas serão, cada vez mais, um "ímã" para os grupos radicais, e o Iraque se transformará em um campo de treinamento de novas gerações de paramilitares. O Oxford Research Group analisou os eventos do último ano no Iraque e o Oriente Médio para determinar como a guerra contra o terrorismo se transformou no que a Administração americana chamou a "longa guerra". Segundo os especialistas, um "erro fundamental" foi derrubar pela força o regime do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, já que foi como "dar um presente" a organizações como Al Qaeda ao colocar 150 mil soldados americanos "no coração do mundo árabe no que é visto na região como uma força de ocupação". O relatório constata que as reservas de petróleo na zona do Golfo Pérsico são de "importância perdurável", com a crescente dependência dos EUA e a China. Isto significa que "seria totalmente inaceitável para os Estados Unidos considerar uma retirada do Iraque". Na opinião dos autores do estudo, os americanos precisam de um "completo replanejamento" de suas atuais políticas. No entanto, os analistas reconhecem que isso não é muito provável, já que, apesar da inversão de poderes no congresso americano, não existe nenhum compromisso para a retirada total do Iraque. O professor Rogers assinala que "embora muita gente acredite que as recentes eleições marcam o princípio do fim da era Bush, isto não é aplicável à guerra contra o terror". "Na realidade, haverá poucas mudanças até que os Estados Unidos enfrentem a necessidade de fazer uma revisão fundamental de suas políticas", afirmou.

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