KHALED ABDULLAH/REUTERS
KHALED ABDULLAH/REUTERS

Guerra converte Iêmen em 'inferno na terra' para crianças, afirma Unicef

Mais de 1,8 milhão de crianças menores de cinco anos vivem em situação de desnutrição severa no país assolado pelos conflitos

O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2018 | 19h32

AMÃ – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) exigiu neste domingo, 4, que os envolvidos em conflito no Iêmen detenham as hostilidades em um país, já que a violência tem levou 1,8 milhões de crianças menores de cinco anos à desnutrição severa, segundo dados da entidade. 

"O Iêmen é atualmente um inferno na terra, não apenas para 50% ou 60% das crianças, mas para cada menino e menina que vive no Iêmen", assegurou Geert Cappelaere, diretor da entidade no Oriente Médio e na África do Norte, em coletiva concedida em Amã, na Jordânia.

"Pedimos a todas as partes que se reúnam durante este mês com a mediação do emissário especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para que cheguem a um acordo de cessar-fogo no Iêmen”, declarou Cappelaere. "As cifras, embora não digam muito, são importantes porque nos fazem perceber o quanto a situação se tornou desastrosa."

A guerra no Iêmen confronta as forças pró-governo e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã. Além da fome, a população também sofre de doenças como a cólera. 

"A cada 10 minutos, uma criança morre de doenças que poderiam ser evitadas", indicou Cappelaere, para quem a guerra agrava uma situação que já era negativa após anos de subdesenvolvimento no país mais pobre da região". 

O doloroso custo humano da guerra no Iêmen liderada pelos sauditas tem ocupado o topo da agenda global. Na última quinta-feira, 1º, a menina Amal Hussain, de apenas sete anos e cuja imagem deitada em uma cama de hospital se tornou o símbolo da fome no país, morreu em um campo de refugiados. / AFP

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