Guerra da Coreia completa 60 anos

Seul faz homenagens aos veteranos; Pyongyang reafirma que conflito começou por ação dos EUA

BBC

25 de junho de 2010 | 09h12

Sul-coreanos protestam contra 'provocações' de Pyongyang.

 

SEUL - A Guerra da Coreia completa nesta sexta-feira, 25, 60 desde seu início, em 1950. A Coreia do Sul realizou cerimônias para marcar o aniversário do conflito, que tecnicamente ainda existe e nunca foi encerrado formalmente. A Coreia do Norte, por sua vez, lembrou o evento por meio da mídia estatal.

 

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Em Seul, o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, homenageou os veteranos de guerra e pediu paz na península. O mandatário, porém, pediu que a Coreia do Norte para com seu comportamento "irresponsável" em meio às crescentes tensões entre os países vizinhos.

 

Em 25 de junho de 1950, tanques e tropas norte-coreanas invadiram o sul, iniciando uma guerra que tirou cerca de 4 milhões de vidas. Os EUA e a Organização das Nações Unidas (ONU) apoiaram o Sul enquanto o Norte teve o respaldo da China e da Rússia.

 

O conflito nunca foi encerrado formalmente, visto que as agressões pararam devido a um cessar-fogo, e não por um tratado de paz. Desde então, as Coreias vivem tensões frequentes. Pyongyang contesta até hoje a versão de que teria realizado o primeiro ataque e iniciado a guerra.

 

As mais recentes tensões entre os países teve início no último dia 26 de março, quando um navio sul-coreano afundou no Mar Amarelo, perto da fronteira marítima entre as nações. As investigações internacionais conduzidas por Seul apontam para um torpedo norte-coreano como causa do naufrágio, que matou 46 marinheiros. Pyongyang, entretanto, nega envolvimento e diz que a acusação sul-coreana é falsa.

 

O caso foi levado ao Conselho de Segurança da ONU por Seul, cujos esforços são respaldados pelos EUA. A Coreia do Norte, porém, disse que qualquer medida tomada pelo órgão seria inaceitável e que Pyongyang estaria pronta para responder "militarmente" a qualquer atitude que possa prejudicar o país.

 

Na cerimônia, Lee exigiu que a Coreia do Norte para com suas "provocações militares irresponsáveis" e "admita clara e honestamente seus erros" no afundamento do navio. Segundo o presidente, o objetivo da Coreia do Sul "não é o confronto militar, mas a unificação pacífica", disse, pedindo "atitudes responsáveis" de Pyongyang.

 

Os norte-coreanos lembraram o aniversário da guerra pela imprensa, controlada pelo governo de Kim Jong-il. Na terça-feira, a mídia havia reafirmado que o conflito havia sido provocado pelos EUA. Na quinta, o governo pediu a Washington US$ 65 trilhões para reparar os danos da guerra.

 

Os norte-coreanos também anunciaram um embargo temporário para as atividades marítimas em sua costa oeste, o que anteriormente antecedeu testes de mísseis. "Isso parece ser parte de exercícios de treinamento e não temos indicações de atividades irregulares dos militares de Pyongyang", disse o Ministério da Defesa de Seul.

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