Guerra de boatos marca campanha

Canais de TV assumem defesa dos candidatos

O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2012 | 03h06

Truques sujos, armações, falsificações, boatos e golpes baixos de todos os tipos têm sido a marca da campanha para a eleição presidencial de domingo na Venezuela. Na ponta de lança dessas estratégias estão as duas emissoras do país que assumiram abertamente a defesa da candidatura de Hugo Chávez e de Henrique Capriles Radonski - respectivamente, a estatal Venezolana de Televisión (VTV) e o canal privado Globovisión, alvo de todo tipo de retaliação por parte do governo chavista.

Pelo menos um dos casos provocou impacto negativo substancial na campanha de Capriles. Um de seus coordenadores, o deputado Juan Carlos Caldera foi flagrado recebendo um pacote de dinheiro de um empresário não identificado, mas que supostamente seria emissário de um magnata que tem vários negócios com o governo Chávez.

As imagens exibidas à exaustão na VTV forçaram Capriles a ir a público, desautorizar a atitude de Caldera e afastá-lo da campanha. Nesta semana, surgiu um áudio de uma conversa telefônica entre o pai de Capriles e um outro empresário na qual ele pedia "contribuição" para a campanha do filho.

Uma das frases da conversa - "se for em dinheiro é melhor" - não para de ser exibida pelo canal chavista. Capriles, até ontem, não tinha se manifestado a respeito.

A saúde de Chávez, que há mais de um ano se trata de um câncer pélvico mal esclarecido pelo governo, também é alvo de especulações por parte da oposição. Os partidários de Capriles dão eco a informações de blogs apócrifos segundo os quais o candidato à reeleição tem recorrido a poderosos esteroides para poder se manter em pé e cumprir uma agenda de campanha reduzida pela limitação física do presidente.

Segundo essas fontes, em estágio terminal, Chávez embarcará para o Brasil na segunda ou terça-feira para internar-se no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Uma viagem de Chávez ao Brasil para tratamento foi noticiada várias vezes no últimos meses, sem confirmação.

A oposição também acusa a campanha chavista de usar truques de computação para "turbinar" a multidão que tem comparecido aos atos de campanha chavista - que rejeita a suspeita e a devolve a Capriles. Até agora, o árbitro do processo, o Conselho Nacional Eleitoral, cuja maioria dos juízes foi nomeada por Chávez, não interveio. / R.L.

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