Sergey Dolzhenko/EFE/EPA
Sergey Dolzhenko/EFE/EPA

Guerra de Putin leva a aproximação histórica de Finlândia e Suécia da Otan

Países nórdicos abandonaram posição tradicional de não-alinhamento e enviaram armas armas e equipamentos militares à Ucrânia

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2022 | 12h29

Exportações históricas de armas, um forte sentimento pró-Otan na opinião pública, firmeza diante das advertências de Moscou: a invasão russa da Ucrânia abalou em poucos dias o tradicional não-alinhamento de Suécia e Finlândia.

Estocolmo e Helsinque descartam no momento a hipótese de um pedido urgente de adesão à Aliança Atlântica, mas nunca antes os dois países estiveram tão próximos de dar este passo, afirmam analistas. "Tudo é possível no momento e o sinal dos países da Otan é que a adesão poderia ser examinada rapidamente. Portanto, penso que seria apenas uma decisão política de Estocolmo e Helsinque", resume Zebulon Carlander, analista da organização 'Société et Défense' (Sociedade e Defesa).

Os dois países são oficialmente não alinhados, mas sócios da Otan desde meados da década de 1990, depois que viraram a página da neutralidade com o fim da Guerra Fria

O Parlamento finlandês deve debater um pedido para a convocação de um referendo sobre a adesão à Otan. O pedido reuniu em menos de uma semana as 50 mil assinaturas necessárias para entrar na agenda da 'Eduskunta'. A primeira-ministra social-democrata Sanna Marin destacou que não se trata de discutir a adesão, mas o contexto político mudou de maneira repentina.

Apoio à adesão

Pela primeira vez, a maioria (53%) dos finlandeses apoia a adesão à Otan, segundo uma pesquisa publicada na segunda-feira 28 de fevereiro. O número de partidários da adesão quase dobrou em poucas semanas, pois em janeiro era de apenas 28%.

A parcela finlandesa contrária à adesão à Otan caiu a 28%, com 19% de indecisos. "É um resultado histórico e excepcional", declarou à agência France Press Charly Salonius-Pasternak, pesquisador do Instituto de Assuntos Internacionais, que espera a manutenção do apoio em nível elevado por muito tempo.

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Na Suécia, o apoio para a entrada na Otan também é o maior já registrado, com 41% favoráveis, 35% contrários e 24% de indecisos, segundo uma pesquisa publicada na sexta-feira 25, um dia após o início da invasão russa à Ucrânia. 

Os dois países nórdicos romperam um dos principais tabus de sua política de segurança, o de não exportar armas ou equipamento militar a países em guerra. Além de equipamento de defesa, como capacetes e coletes à prova de bala, a Suécia fornecerá 5 mil lança-foguetes antitanques. 

Isto é algo sem precedentes desde a Guerra de Inverno de 1939, destacou a primeira-ministra Magdalena Andersson, que citou o apoio de Estocolmo à vizinha Finlândia ao ser invadida pela União Soviética.

"Penso que provavelmente é o início de uma reavaliação da política sueca de segurança. Também há um debate sobre medidas a tomar para reforçar o exército sueco", afirma Carlander.

Em outra "decisão histórica", de acordo com Sanna Marin, a Finlândia concordou na segunda-feira em enviar armas letais à Ucrânia, incluindo 2.500 fuzis, 1.500 lança-foguetes e munições.

Reação russa

A eventual adesão de Finlândia e/ou Suécia à Otan - analistas esperam uma ação coordenada dos países - irritará Moscou, em um contexto explosivo entre o Ocidente e a Rússia de Vladimir Putin.

O ministério russo das Relações Exteriores afirmou, na sexta-feira, que a entrada destes países na Otan "teria consequências militares e políticas graves". Esta advertência já foi ouvida antes, respondeu Helsinque, que não acredita em uma ameaça de invasão como na Ucrânia.

Moscou transformou a busca de ampliação da Otan para o leste em um 'casus belli', ao afirmar que a Rússia foi traída após a queda do Muro de Berlim. / AFP

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