Guerra derruba popularidade de premier australiano

A popularidade do primeiro-ministro australiano, John Howard, despencou para o nível mais baixo dos últimos oito meses, derrubada pelo apoio de Howard aos EUA em sua ofensiva contra o Iraque, segundo uma pesquisa de opinião publicada hoje pelo jornal The Australian. De acordo com o levantamento, realizado pela firma Newspoll, a satisfação dos eleitores caiu de 65%, em outubro do ano passado, para 48%, hoje. Em outubro de 2002, Howard foi favorecido pela comoção gerada com os atentados em Bali, nos quais morreram muitos australianos. A pesquisa mais recente foi realizada depois que centenas de milhares de australianos tomaram as ruas de cidades em todo o país para pregar a paz e manifestar contra a posição de seu governo com relação a uma possível guerra.John Howard disse que respeita o ponto de vista de seus compatriotas que participaram de atos em favor da paz, mas que sua posição não será alterada pela crescente oposição à guerra contra o Iraque.Os comentários de Howard, um dos principais aliados dos EUA no confronto com o regime de Saddam Hussein, foram formulados após as gigantescas demonstrações contra a guerra que ocorreram nas principais cidades australianas entre sexta e domingo passados. Só em Sydney, enquanto a polícia estimou que 200.000 pessoas foram às ruas no domingo, os organizadores estimaram esse número em meio milhão. "Este é um tema muito difícil, e respeito o fato de que muitos australianos não estejam de acordo comigo sobre isto", disse Howard. "Mas, como primeiro-ministro, devo adotar as decisões que considero melhores para os interesses de meu país. E creio que a forma pela qual estamos lidando (com o Iraque) seja em favor dos melhores interesses da Austrália", acrescentou. A guerra contra o Iraque poderá ser usada pela rede terrorista Al-Qaeda, liderada pelo milionário saudita Osama bin Laden, como terreno propício para aumentar seu recrutamento entre os muçulmanos, alertou o chefe da inteligência da Austrália. "Bin Laden, sempre um oportunista, continuará tentando capitalizar eventos para seus propósitos de propaganda, com a esperança de consesguir mais recrutas", disse Dennnis Richardson, diretor-geral da Organização de Inteligência e Segurança da Austrália. Em um discurso durante uma reunião de dirigentes empresariais em Sydney, Richardson acrescentou, porém, que uma solução pacífica para o caso iraquiano não evitará novos atentados. "A Al-Qaeda tentará continuar com o que está planejando no presente, e seus principais objetivos continuarão sendo civis inocentes".

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