Guerra desencadeará terrorismo, diz Lampreia

Embora seja hoje difícil prever o que virá depois da guerra, o ex-ministro de Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe Lampreia, acredita que a invasão do Iraque pelos Estados Unidos pode desencadear uma onda de ataques terroristas do porte do 11 de setembro, com efeitos devastadores para a economia americana. ?Esse é o pior cenário do pós-guerra, principalmente porque não houve provas contundentes de que o Iraque de que possui armas químicas e de destruição em massa?, disse o embaixador à Agência Estado. Lampreia, que preside hoje o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirmou que os países que estão apoiando o presidente George W. Bush nessa sua empreitada contra o Iraque correm também o risco de sofrer ataques terroristas de proporções semelhantes aos ocorridos em setembro de 2001 às torres gêmeas do World Trade Center e ao Pentágono. Apesar disso, o governo Bush parece não estar incomodado com o peso da rejeição gerada em todo o mundo. Indagado se a intervenção militar norte-americana no Iraque provocará uma reacomodação da ordem mundial, o ex-ministro disse acreditar que sim. ?Certamente haverá, até porque já houve um racha na aliança Ocidental?, afirmou. O embaixador acredita, no entanto, que tudo as conseqüências políticas e geopolíticas dependerão da evolução o conflito. ?Se o conflito for militarmente resolvido rápido, o processo vai se encaminhar para uma coisa clara. Caso contrário, podem surgir tensões graves dentro dos países árabes?, afirmou o ex-ministro. Para ele, a população de algumas nações árabes podem se levantar contra seus governos e a guerra ficar mais complicada ainda. Lampreia acredita ainda que alguns governo, entre eles o britânico e o espanhol, podem ficar ameaçados. ?Claro que isso, repito, dependerá da evolução do conflito, que é difícil prever.? Sobre as declarações de ontem do presidente Luís Inácio Lula da Silva, para quem Bush está desrespeitando a ONU e transformando a guerra num problema eminentemente americano, o ex-ministro disse que as palavras de Lula foram perfeitamente compatíveis com a posição histórica do Brasil. ?O País sempre foi favorável a soluções pacíficas e sempre respeitou as decisões de organismo como das Nações Unidas?, afirmou Lampreia.Veja o especial :

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