Guerra do Iraque alimentou terror, diz britânica

A guerra no Iraque levou a uma perda no foco da ameaça representada pela rede extremista Al-Qaeda, encorajou seu líder Osama Bin Laden e ajudou a criar uma geração de terroristas crescidos em casa, disse hoje a ex-chefe da espionagem interna britânica, Eliza Manningham-Buller, à comissão que investiga os motivos para a Grã-Bretanha ter participado da Guerra do Iraque.

AE-AP, Agência Estado

20 de julho de 2010 | 21h16

Eliza Manningham-Buller foi diretora do serviço de espionagem MI-5 entre 2002 e 2007. Ela afirma que o governo britânico deu pouca atenção aos alertas de que a guerra no Iraque iria alimentar o terrorismo dentro da própria Grã-Bretanha.

Ela também afirmou que o Iraque representava pouco perigo antes da invasão de 2003, liderada pelos Estados Unidos, e insistiu em que não existiam provas de que houvesse uma ligação entre o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e os militantes que levaram a cabo os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.

"Não existiam informações dignas de crédito apuradas pela inteligência para sugerir essa conexão e foi esse o julgamento, eu poderia dizer, da CIA", declarou Eliza. Segundo ela, esse julgamento, de não existir conexão entre Saddam e a Al-Qaeda, "não encontrava apoio em algumas partes da máquina norte-americana".

Segundo a ex-diretora do MI-5, aqueles que apoiavam a guerra contra o Iraque nos EUA deram uma importância excessiva a retalhos de informações esparsas sobre supostas ligações entre o Iraque e os terroristas. Ela apontou o então secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, como um deles.

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