Guerra do Iraque fortaleceu Al-Qaeda, diz ONU

Segundo um relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira, a guerra do Iraque serviu como campo de treinamento e recrutamento para a Al-Qaeda. O resultado do estudo reforça as conclusões de um relatório da inteligência americana - cujos trechos vazaram para imprensa no domingo - afirmando que a guerra no Iraque fomentou o terrorismo. Elaborado por especialistas em terrorismo a cargo do Conselho de Segurança, o relatório diz que a Al-Qaeda não só interpretou um papel central na luta do Iraque, como serviu de inspiração para a insurgência do Taleban no Afeganistão. Uma das indicações que demonstram a forte ligação entre a Al-Qaeda e o Taleban é o fato de, como explica o estudo, "novos explosivos serem usados no Iraque e apenas um mês depois aparecerem no Afeganistão". O relatório da ONU - que analisou dados dos últimos seis meses - diz ainda que "não há provas que membros do Taleban estejam lutando fora do Afeganistão ou do Paquistão, mas há relatos de que eles estão sendo treinados tanto no Iraque como na Somália". Ideais da Al-QaedaOutro dado levantado pelos especialistas trata de ataques fora do Iraque com o objetivo de promover os ideais da Al-Qaeda. De acordo com o relatório, o conflito no Iraque foi utilizado pelos "combatentes da guerra santa para aprofundar sentimentos antiamericanos no mundo árabe e ganhar adeptos ao seu movimento".O estudo também aferiu que a violência tanto no Iraque como no Afeganistão tem aumentado e ressaltou que a ação da Al-Qaeda em território iraquiano "é desproporcional em relação ao tamanho do país". Entretanto, o relatório concluiu que a influência da Al-Qaeda no Iraque pode diminuir em breve, com base na reclamação de alguns membros da organização terrorista em ter de matar outros muçulmanos e não estrangeiros, ou ainda de lutar pela sua causa apenas com ataques suicidas.Outro dado citado para provar o enfraquecimento da Al-Qaeda é a morte do líder Abu Musab al-Zarqawi. Já em relação ao Taleban, os relatores afirmaram que sua importância no país é evidente, com a morte de mais de 2 mil pessoas entre janeiro e julho deste ano. O relatório foi realizado para verificar os efeitos das medidas da ONU para isolar financeiramente as duas organizações terroristas.

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