Guerra é incentivo a ações terroristas, diz especialista nos EUA

O ponto crucial da guerra contra o Iraque, que teve início ontem à noite com o disparo de 40 mísseis de cruzeiro Tomahawks e também com o lançamento de bombas pelos caças F-117 Stealth, será de fato o cerco a Bagdá, capital iraquiana e onde se encontra escondido o presidente Saddam Hussein, na opinião do diretor do Centro de Estudos de Políticas de Defesa do Cato Institute, Charles V. Peña. "O maior desafio das tropas norte-americanas será quando avançarem a Bagdá e promoverem um cerco a cidade. A questão é se as forças iraquianas vão render-se ou vão resistir de forma feroz, prolongando uma tomada da capital iraquiana", disse Peña em entrevista à Agência Estado. Uma resistência da guarda republicana de Saddam Hussein poderá causar baixas civis, o que é um fator de preocupação para o governo norte-americano, segundo Peña. "O cerco a Bagdá é o coração da guerra", ressaltou. Ele estima que as tropas norte-americanas em terra poderão avançar e cercar Bagdá num prazo de três dias até, no máximo, dez dias. "Talvez as tropas norte-americanas cheguem lá mais rapidamente, se as coisas saírem como o esperado", comentou Peña. Contudo, o especialista alerta que a tomada de Bagdá pelos norte-americanos é um fator de maior incerteza até o momento, pois se especula há algum tempo de manobras como uso de armas químicas pelas forças iraquianas e o incêndio de campos petrolíferos. Risco de atentados vai aumentarO especialista do Cato Institute acredita que, ao contrário da intenção do presidente Bush de que a ofensiva militar para retirar Saddam Hussein do poder visando a dar um duro golpe nas ações terroristas, a guerra somente irá aumentar o risco de atentados terroristas, especialmente nos Estados Unidos. "A guerra tem grande potencial de irritar as nações árabes no Oriente Médio, desestabilizando ainda mais a região e criando mais potencial para atos terroristas", afirmou Peña. "Isso será agravado se as tropas norte-americanas, depois que a guerra contra o Iraque tiver acabado, permanecerem por muito tempo ocupando o país no esforço de reconstrução do Iraque", acrescentou Peña. Para ele, uma presença norte-americana de longo prazo irá agravar mais ainda a onda terrorista do que propriamente diminui-la. Veja o especial :

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