Guerra é vitória da intolerância, diz Câmara Árabe-Brasileira

A guerra entre os Estados Unidos e o Iraque é um lamentável retrocesso no desenvolvimento do ser humano e das nações, diz comunicado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), que representa 22 países árabes, divulgado hoje. "Trata-se, em nosso entender, da vitória da intolerância, da incompreensão, da violência contra a paz e a harmonia entre os povos e, principalmente, contra o poder da negociação, de que só o homem é capaz", diz o texto assinado pelo presidente da entidade, Paulo Atallah.Até então Atallah vinha se recusando a fazer comentários sobre o conflito no Golfo Pérsico. "Com uma atuação voltada prioritariamente para o fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e os países árabes, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira sempre optou por passar ao largo de comentar conflitos políticos", justificava até então o executivo. "No entanto, a Câmara não pode ficar indiferente diante da guerra dos países aliados, liderados pelos EUA, contra o Iraque, por colocar em risco e sacrificar milhares de vidas humanas inocentes, em sua maioria civis, crianças e mulheres."No comunicado, Atallah parabeniza a posição firme e clara do governo brasileiro, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em favor da paz e da negociação. "Não há a menor dúvida de que esta guerra, que contraria as decisões da Organização das Nações Unidas (ONU), trará como conseqüência uma nova ordem no cenário político-econômico internacional", diz o texto. Para o presidente da CCAB, esse novo cenário exigirá dos governantes e dos empresários uma atenção redobrada.Principalmente, afirma Atallah, "porque haverá necessidade de se intensificar a busca de novas parcerias estratégicas, entre as quais os países que compõem o mundo árabe que continuam oferecendo uma das melhores alternativas".Estudo da CCAB sobre expectativas de comércio entre o Brasil e os países da comunidade árabe apresentada no final do mês passado mostrava um crescimento de 270% nas exportações brasileiras em apenas quatro anos. A entidade calculava que o volume de vendas externas do Brasil aos 22 países árabes poderia chegar a US$ 7 bilhões até 2006 - foram US$ 2,6 bilhões em 2002.Atualmente os principais mercados entre essas nações são os Emirados Árabes Unidos, seguido por Arábia Saudita, Egito, Marrocos, Argélia , Tunísia e Mauritânia. De acordo com dados da Câmara Árabe, os 22 países da Liga Árabe têm hoje um PIB de US$ 750 bilhões, com população de 277 milhões. A região detém 63% das reservas de petróleo do mundo. Veja o especial :

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