Guerra em Darfur terminou, diz chefe militar da ONU no Sudão

General Martin Agwai afirma que problemas em região sudanesa agora são políticos

ANDREW HEAVENS, REUTERS

27 de agosto de 2009 | 13h04

O chefe das forças militares da Organização das Nações Unidas (ONU) no Sudão afirmou que "terminou" a guerra de seis anos entre tropas leais ao governo sudanês e rebeldes na região de Darfur, no oeste do país. Segundo o general nigeriano Martin Luther Agwai, que está deixando seu posto na missão conjunta da ONU e da União Africana (Unamid, na sigla em inglês) na semana que vem, os conflitos dos primeiros anos da guerra se acalmaram à medida que os diversos grupos rebeldes se dividiram em facções.

 

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Agwai afirma que a região sofre agora com conflitos menores e criminalidade. "Honestamente, hoje eu não diria que existe uma guerra acontecendo em Darfur, e penso que o que temos que fazer agora é acelerar o processo político na região", disse Agwai, que assumiu o posto na Unamid em 2007. "Militarmente não há muito (o que fazer), o que temos agora são questões de segurança, criminalidade, pessoas tentando resolver problemas de acesso a água e territórios em nível local. Mas, a verdadeira guerra, eu considero que terminou", disse o general.

 

Segundo a ONU, 300 mil pessoas morreram nos conflitos em Darfur, mas o governo sudanês estima que esta cifra pode chegar a 10 mil. Informações também dão conta de que cerca de 3 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido à violência na região.

 

De acordo com o general Agwai, apenas um grupo rebelde, o Movimento por Justiça e Igualdade (Jem), ainda representa uma ameaça. Segundo ele, o grupo tem ainda a capacidade de lançar ataques esporádicos, mas não poderia mais conquistar territórios.

 

Para a analista especialista em Sudão Gill Lusk, no entanto, os comentários de Agwai "não ajudam", porque eles poderiam levar à impressão de que os problemas em Darfur estariam resolvidos. "Houve uma grande diminuição nos conflitos em Darfur, o que é, indubitavelmente, uma boa coisa para as pessoas. Mas é o governo 'quem liga ou desliga a torneira', ele podem reiniciar a violência quando quiserem", disse Lusk à BBC.

 

Genocídio

 

O conflito na árida e empobrecida região de Darfur começou em 2003, quando grupos rebeldes, incluindo o Jem, atacaram alvos do governo, acusando Cartum de oprimir a população nega do país e favorecer a população árabe. Milícias pró-governo contra-atacaram com força, em atos que foram classificados pelo governo dos Estados Unidos e grupos de defesa dos direitos humanos como genocídio.

 

O governo de Cartum nega ter dado apoio às milícias, mas a Corte Internacional de Haia emitiu uma ordem de prisão no início do ano contra o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, acusando-o de crimes de guerra.

 

Embora a intensidade dos conflitos tenha se reduzido, há ainda poucas chances de se chegar a um acordo de paz. Na semana passada, o enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Sudão, Scott Gration, afirmou que a existência de 26 facções rebeldes no país é o maior obstáculo para se alcançar um acordo de paz.

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