Guerra entre Sharon e Hamas atropela plano de paz

A confrontação cada vez mais mortal entre o Estado de Israel e o grupo palestino Hamas - com 37 pessoas mortas e mais de 130 feridas em apenas dois dias - deixa poucas esperanças de que a iniciativa de paz do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, lançada há apenas uma semana, venha a sobreviver. Tanto o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e o grupo militante islâmico ameaçavam, ambos, lutar até o fim.A cadeia de eventos teve início na semana passada, com uma cúpula da paz do Oriente Médio, na qual Sharon e Abbas prometeram a Bush dar início à implementação do plano.Dois dias depois, um líder do Hamas, Abdel Aziz Rantisi, anunciou que seu grupo estava suspendendo conversações sobre uma trégua com Abbas. No fim de semana, militantes do Hamas e de dois outros grupos, mataram cinco soldados israelenses, num ataque a um posto do Exército de Israel em Gaza.Na terça-feira, Israel tentou assassinar Rantisi, que escapou, ferido, de um ataque de mísseis. O Hamas prometeu vingança e, na quarta-feira, um homem-bomba do grupo suicidou-se matando 17 pessoas num ônibus em Jerusalém. A esse atentado seguiram-se três outros ataques de mísseis israelenses contra militantes do Hamas, que mataram 18 palestinos na Faixa de Gaza, a maioria civis.Na noite de hoje, um motorista israelense foi morto por disparos palestinos na Cisjordânia. Em meio ao banho de sangue, Israel e o Hamas trocaram ameaças mútuas que sugeriram um novo estágio nos 32 meses de confrontos.Num das mais duros anúncios desde que promoveu o primeiro ataque suicida à bomba em meados da década de 90, o Hamas ordenou "todas células militares? a agir para ?explodir a entidade sionista e fazê-la em pedaços?. Sharon, por seu lado, avisou que irá combater os militantes "até a morte", não importando o que aconteça com o roteiro da paz.

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