Guerra exige enormes esforços dos colombianos, dizem analistas

A guerra interna vivida pela Colômbiaexigirá enormes sacrifícios para o bolso de seus cidadãos,principalmente depois do anúncio pelo governo de um impostoadicional sobre o patrimônio e uma nova reforma tributária,advertiram hoje dirigentes políticos e econômicos.O novo presidente Alvaro Uribe, utilizando-se de podereslegislativos do estado de emergência, decretou hoje um aumentopara 1,2 ponto porcentual da alíquota do imposto sobre ospatrimônios superiores a 150 milhões de pesos (US$ 60.000), como qual espera arrecadar a mais cerca de dois bilhões de pesos(US$ 800 milhões) no próximo ano, que serão utilizados parafinanciar e ampliar o melhoramento das Forças Armadas."Este imposto é um esforço tremendo para a economia, cujosrecursos devem ser destinados exclusivamente à segurança e quedeve ter como contrapartida o poder de fiscalização por partedos contribuintes para que o dinheiro se traduza em umadiminuição do terrorismo", disse hoje o presidente daAssociação Nacional de Industriais (ANDI), Luis CarlosVillegas.Para o senador liberal Luis Guillermo Vélez, a declaração deestado de emergência (ou estado de comoção interna), fundamentoutilizado para criar o imposto, se justifica porque "não hánenhum país do mundo que registre tantos e tantos ataquesterroristas".Por outro lado, o senador advertiu que tal imposto é muitoalto comparado com a alíquota de 0,5% decretada há três anospara arrecadar fundos para financiar a batalha contra aguerrilha e que, portanto, poderia agravar ainda mais a criseeconômica por que passa o país."O imposto aos patrimônios deve ser apoiado para que possafinanciar a proposta do presidente Uribe de lutar contra aviolência, mas a reforma tributária me parece um erro",explicou Vélez, que é ex-presidente do Partido Liberal eespecialista em temas econômicos no Congresso.De acordo com o senador, a reforma tributária proposta pelogoverno Uribe vai "golpear mais o consumo e afetar os salários- o que pode piorar ainda mais a recessão, porque caímos naespiral recessiva que ocorre quando os governos aumentam atributação acreditando que vão arrecadar mais e, quando nãoconseguem, continuam aumentando os impostos".O presidente da ANDI advertiu em uma entrevista à rádioCaracol que a reforma tributária deverá focalizar o combate àevasão e a ampliação da base de contribuintes, "pois muitosagentes econômicos nem conhecem os formulários de declaração devenda ou de renda".Para o ministro da Fazenda, Roberto Junguito, o sacrifícioexigido dos colombianos com o pagamento de impostos mais altoscontribuirá para a recuperação da segurança, dos investimentos edo crescimento de uma economia que registra quatro anos deestancamento e uma profunda recessão."É indispensável (o novo imposto) para a retomada do climade confiança, para que haja novos investimentos, maior geraçãode empregos, crescimento para todos os colombianos", disseJunguito depois de concluída, na madrugada de hoje, a reunião doConselho de Ministros, que aprovou a declaração do estado deemergência e o aumento das taxas. Atualmente, os gastos com defesa na Colômbia, incluindo apolícia, alcançam 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

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