Guerra impopular é fator de risco para Obama

WASHINGTON

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

A guerra do Afeganistão tornou-se um obstáculo sério para o presidente dos EUA, Barack Obama, manter a maioria democrata no Congresso depois das eleições de novembro. A divulgação dos documentos secretos sobre a guerra no Afeganistão pelo site Wikileaks, no final de julho, e o aumento do número de mortos e feridos em batalhas neste ano acentuaram a desaprovação popular ao conflito e somaram-se à insatisfação com os rumos da economia.

Pesquisa do Instituto Gallup mostrou que, no início de agosto, 57% dos americanos desaprovavam a maneira como Obama estava conduzindo a guerra.

Em julho de 2009, apenas 34% apresentavam essa posição. No mesmo período, a aprovação à liderança de Obama no Afeganistão despencou de 56% para 36%. Embora em queda, a maioria dos americanos apoiava a decisão de enviar mais tropas.

Dos 1.208 consultados pelo Gallup, 52% afirmaram que a iniciativa não foi "um erro". Em janeiro de 2009, entretanto, 66% dos americanos pensavam dessa forma - uma queda de 14 pontos porcentuais. Os americanos que consideraram um erro essa medida passaram, na mesma comparação, de 30% para 43% - aumento de 13 pontos porcentuais.

As notícias de pouca evolução no campo de batalha acentuam o pessimismo na sociedade americana e tendem a se refletir nas eleições de 2 de novembro, quando serão escolhidos os 435 deputados federais e um terço do Senado (36 de 100 cadeiras), além dos governadores de 37 dos 50 Estados e de dois territórios da federação. Historicamente, essas eleições funcionam como um referendo do governo do presidente, que está sempre na metade de seu mandato.

Até ontem, 280 americanos haviam morrido apenas neste ano no Afeganistão. No final de julho, o site Wikileaks tornou públicos documentos que comprovam que o Paquistão, principal aliado do governo Obama na guerra do Afeganistão, deu apoio às forças inimigas, os rebeldes do Taleban.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.