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Guerra já expulsou 68 mil de Mossul 

Cerca de um milhão de civis estão sitiados na cidade desde início da ofensiva contra o EI

O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2016 | 05h00

MOSSUL - Desde o início da ofensiva militar iraquiana para retomar a cidade de Mossul das mãos do Estado Islâmico (EI), há cinco semanas, mais de 68 mil pessoas já tiveram de abandonar suas casas, informou ontem o Escritório das Nações Unidas para Ajuda Humanitária (Ocha), ressaltando que os deslocados precisam de assistência urgente.

Segundo a ONU, está cada vez mais complexo responder às necessidades da população desde o início dos confrontos militares na cidade com o apoio da coalizão internacional que combate o EI, já que as demandas variam de acordo com os diferentes grupos de civis.

A maioria das estimativas diz que um milhão de civis estão sitiados em Mossul, mas é impossível calcular uma cifra precisa depois de mais de dois anos de controle dos extremistas na região. As pessoas que deixam a cidade procuram acampamentos em vilarejos próximos onde possam viver. 

Muitos dos que fogem carregam feridos e mortos pelo grupo jihadista durante a fuga para receberem atendimento médico ou serem enterrados. 

Estratégia. A força governamental iraquiano Serviço de Contraterrorismo, treinada pelos EUA, está aprofundando sua incursão no leste de Mossul enquanto unidades da polícia e do Exército, milícias xiitas e combatentes curdos cercam o EI pelo oeste, sul e norte.

Forças dos Estados Unidos que apoiam as tropas do Iraque realizaram um ataque aéreo a uma ponte que cruza o Rio Tigre, restringindo os movimentos dos militantes entre as partes leste e oeste da cidade, informou ontem uma autoridade americana.

Cinco pontes cruzam o rio Tigre. Todas elas têm minas e armadilhas explosivas instaladas pelos extremistas que tomaram a cidade há dois anos, quando varreram o norte do Iraque e declararam um califado em partes do país e da vizinha Síria.

Apesar de tê-las minado, até agora os radicais têm conseguido usar as pontes que ainda não foram destruídas pelos ataques aéreos. O coronel da Força Aérea John Dorrian, porta-voz da coalizão liderada pelos EUA com sede em Bagdá, disse ontem que um ataque aéreo derrubou a ponte número quatro, que fica no extremo sul.

“Esse esforço impede a liberdade de movimento do Daesh em Mossul, inibe sua capacidade de reabastecer ou reforçar seus combatentes na cidade”, explicou o coronel, usando o acrônimo em árabe para o EI.

O general de brigada iraquiano Yahya Rasool, porta-voz do comando de operações conjuntas dos militares, não pôde confirmar a ação aérea.

Os jihadistas recuam continuamente de áreas ao redor da cidade, mas os avanços iniciais do Exército diminuíram à medida que os extremistas se entrincheiraram, usando os mais de um milhão de civis da localidade como escudos, movendo-se por meio de túneis e atingindo tropas avançadas com homens-bomba, franco-atiradores e disparos de morteiro. 

Um mês atrás, um ataque aéreo americano destruiu a ponte número dois, no centro da cidade, e, quinze dias depois, outro ataque derrubou a ponte número cinco, ao norte.

Após as ações, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) expressou o temor de que a derrubada das pontes possa obstruir a retirada de civis da cidade.

A ofensiva para retomar Mossul, iniciada no dia 17 de outubro, está se transformando na maior batalha da turbulenta história iraquiana desde a invasão liderada pelos EUA que derrubou o ditador Saddam Hussein em 2003. / AFP e REUTERS

 

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