Guerra já forçou a fuga de casa de cerca de 800 mil iraquianos

A violência sectária já forçou cerca de 100 mil famílias iraquianas a abandonarem suas casas, ou cerca de 800 mil pessoas, afirmou neste sábado o vice-presidente Adil Abdul-Mahdi. Segundo disse Abdul-Mahdi a repórteres na cidade sulista de Najaf, 90% dos deslocados internos são xiitas como ele, e o restante, sunitas, a minoria que controlava o poder no regime de Saddam Hussein. Antes, autoridades iraquianas admitiam um número bem menor de deslocados. Salah Abdul-Razzaq, porta-voz de um órgão governamental que administra instituições religiosas xiitas, admitia que 13.750 famílias, ou 90 mil pessoas, haviam perdido suas casas. Delas, 25 mil pessoas teriam fugido desde o atentado a bomba contra uma mesquita xiita em Samarra em 22 de fevereiro que provocou uma onda de ataques revanchistas sectários. No começo da semana, o porta-voz militar dos Estados Unidos general Rick Lynch afirmou a repórteres que suas forças não encontraram sinais de um "movimento generalizado" de fuga de xiitas e sunitas de suas áreas de origem, apesar de notícias em contrário. Violência Mas a violência persiste inabalável no Iraque. Pelo menos 16 iraquianos morreram neste sábado em ataques, entre eles seis cujos corpos foram encontrados algemados, com os olhos vendados e torturados no bairro bagdali de Dora. Também no sábado, um soldado americano foi morto na explosão de uma bomba na passagem do comboio em que viajava a sudoeste da capital, elevando para 70 o número de militares dos EUA que perderam a vida no Iraque este mês - o mais mortífero para as tropas americanas neste ano. Em março foram 31. Em fevereiro, 55. Em janeiro, 62. Em seu programa semanal no rádio neste sábado, o presidente dos EUA, George W. Bush, advertiu aos americanos que ainda haverá duros combates no Iraque e "mais dias de sacrifício". Mas com a guerra já em seu quarto ano, há sinais claros de que a sociedade começa a perder a paciência. Dezenas de milhares de americanos se concentravam hoje em Manhattan a fim de participar de um protesto contra a guerra e exigindo a volta imediata das tropas para os Estados Unidos.

Agencia Estado,

29 Abril 2006 | 14h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.