Guerra limita comemoração de Nobel pela ONU

Apesar do Prêmio Nobel da Paz ter sido dado ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, as comemorações na sede da ONU em Genebra foram limitadas, já que a atuação da organização no Afeganistão corre o risco de se tornar um dos maiores fracassos dos programas de ajuda humanitária da ONU. "Todos os nossos trabalhos de construção de campos de refugiados estão paralisados e não podemos fazer nada neste momento", afirma o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). Segundo ele, o principal problema enfrentado pelos funcionários da ONU no Paquistão é a falta de segurança para trabalhar. Depois das ameaças aos escritórios das agências da ONU no país e da morte de quatro funcionários em Cabul, nenhum dos trabalhadores que presta serviços para a ONU perto da fronteira com o Afeganistão se arrisca a sair de casa. Além disso, todos os veículos estão parados e até mesmo a produção de tendas para os refugiados foi interrompida. A entrega da alimentos para a população afegã também está prejudicada. Na avaliação do Programa Mundial de Alimentação (PMA), o volume de alimentos dentro do Afeganistão é de 12 mil toneladas por semana, o que seria suficiente para apenas metade dos seis milhões de afegãos que passam fome todos os dias no país. O que deixa a ONU preocupada é que o inverno no Afeganistão deve chegar em menos de um mês e a população não estará preparada para enfrentar o frio e a neve se não contar com a ajuda da comunidade internacional. A Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, fez um apelo ontem aos Estados Unidos para que interrompam seus ataques ao Afeganistão, a fim de que a ajuda humanitária possa chegar a população. "Nós temos que chegar à população civil, mas isso não pode ser feito enquanto os ataques continuarem", afirmou. Mas a segurança não é o único problema da ONU. Por enquanto, mais da metade dos recursos prometidos pelos países para ajuda humanitária não foi liberado. Pelos cálculos da ONU, cerca de US$ 730 milhões haviam sido prometidos pelos governos, principalmente dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, França e Japão, entre outros. O que todos na ONU concordam é que a nova guerra está obrigando a organização a repensar as estratégias de ajuda humanitária. "A ONU está reunindo suas agência praticamente todos os dias para buscar alternativas, mas a situação é dramática", completa um funcionário da ONU em Genebra. Leia o especial

Agencia Estado,

12 Outubro 2001 | 15h50

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