Guerra na Líbia chega às comissões da ONU

Rebeldes e governo de Kadafi brigam para determinar quem é o representante legítimo do país na organização

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Rebeldes líbios e o governo de Muamar Kadafi se enfrentam nos comitês da ONU para determinar quem deve representar o país internacionalmente. A organização adiou o debate sobre os crimes de guerra cometidos por Kadafi justamente por não haver uma definição sobre quem teria direito de falar em nome do país. Muitos diplomatas já abandonaram Trípoli e temem que suas famílias sejam retaliadas.  

 

 

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Ontem, o embaixador líbio na ONU, em Genebra, Ibrahim Aldredi, tentou convocar uma coletiva para mostrar o que estaria ocorrendo em seu país e se apresentar como representante dos rebeldes. Ele abandonou o governo no início do conflito. Aldredi, porém, foi impedido pela organização de convocar a coletiva.

A assessoria de imprensa da ONU informou que o departamento legal da entidade considerou que o diplomata não preenche todas as condições para falar em nome do governo rebelde.

No dia 9 de março, a ONU recebeu da missão da Líbia uma carta dos rebeldes declarando que os diplomatas no organismo eram "representantes legítimos da revolução" e deveriam ser considerados como o corpo diplomático do país. Agora, foi a vez de Kadafi enviar uma carta à ONU alertando que os diplomatas que abandonaram seus postos não representam a Líbia.

Diante do imbróglio e sem saber quem representa Trípoli, a ONU optou por adiar a discussão sobre os resultados da investigação sobre crimes de guerra de Kadafi.

Sequestro. Ontem, o governo da Suíça abriu um caso na Justiça contra a Líbia pelo sequestro de dois cidadãos do país pelo regime de Kadafi. Em 2008, a polícia de Genebra prendeu um dos filhos do ditador sob a suspeita de violência física contra uma funcionária de um hotel de luxo da cidade.

A resposta de Kadafi foi a prisão de dois empresários suíços por mais de um ano em Trípoli. O caso foi resolvido apenas quando o governo suíço aceitou pedir desculpas e pagar indenizações de US$ 1,5 milhão aos líbios.

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