Agência diz que reatores de usina nuclear na Ucrânia não foram atingidos, mas situação é tensa

Agência diz que reatores de usina nuclear na Ucrânia não foram atingidos, mas situação é tensa

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, fogo atingiu prédio de treinamento, e não há sinal de vazamento; chefe de geradora diz que se instalações forem atingidas por bombardeios, haverá um 'desastre'

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2022 | 04h58
Atualizado 04 de março de 2022 | 14h32

Após bombeiros conterem o fogo que se alastrou em parte da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, no sudeste da Ucrânia, autoridades do país confirmaram que tropas russas assumiram o controle do local na manhã desta sexta-feira, 4 (madrugada em Brasília). A Agência Internacional de Energia Atômica diz que os reatores não foram atingidos, mas situação é tensa. A Energoatom, empresa que administra a unidade disse que o local agora opera sob "mira de armas".

Petro Kotin, chefe da geradora, disse no Telegram que as forças russas "entraram no território da usina nuclear, assumiram o controle do pessoal e da administração da usina nuclear", no começo do 9.º dia do conflito. Kotin disse que se as instalações nucleares forem atingidas por bombardeios, isso "levará a um desastre nuclear".

A Agência Internacional de Energia Atômica disse que não há sinal de vazamento radioativo. Segundo a agência, os equipamentos essenciais da usina e os reatores de Zaporizhzhia não foram afetados pelo fogo e não há variação nos níveis de radiação.

De acordo com o diretor da agência, Rafael Grossi, o ataque atingiu um prédio de treinamento e os reatores nucleares não foram afetados. Houve um incêndio em um prédio onde os funcionários da usina eram treinados, informou o porta-voz da usina.

Os russos conseguiram tomar o complexo. O incêndio foi controlado, e não houve mudança nos níveis de radiação, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que esteve em contato com as autoridades ucranianas.

Zaporizhzhia, construída entre 1984 e 1995 e é a maior usina nuclear na Europa e a 9ª do mundo.

A AIEA disse que essa é a primeira vez que há uma guerra em um país que tem uma rede de energia nuclear grande e estabelecida.

Há seis reatores, cada um pode gerar cerca de 950 Megawatts —no total, são cerca de 5,7 Gigawatts (como comparação, a usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, tem capacidade instalada de 14 Gigawatts).

A energia gerada em Zaporizhzhia é suficiente para abastecer cerca de 4 milhões de residências, segundo o jornal “The Guardian”. 

Só essa usina é responsável um quinto da eletricidade do país e metade de toda a geração nuclear. A Ucrânia tem quatro usinas nucleares que, somadas, possuem 15 reatores.

O complexo fica perto da cidade de Enerhodar, na beira de uma represa no rio Dnieper.

A batalha na sexta-feira

O incêndio no prédio que é usado para o treinamento do lado de fora do complexo de energia ocorreu no começo da sexta-feira na Ucrânia.

A notícia surgiu inicialmente de um funcionário da usina, que publicou um texto no Telegram em que dizia que as forças russas haviam atirado contra o complexo e que havia um perigo real de um desastre nuclear.

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O Ministério de Relações Externas da Ucrânia confirmou o ocorrido, e informou que havia um incêndio. Nesse momento, o ministro de Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou que se houvesse uma explosão o impacto seria dez vezes pior que o de Chernobyl, em 1986.

Depois, o Serviço de Emergência da Ucrânia afirmou que a radiação no local estava dentro dos limites normais, e que o incêndio, na verdade, aconteceu em um prédio que fica fora do complexo.

Em seguida, o Serviço de Emergência afirmou que só um dos seis reatores continuou operando, os outros foram desligados do sistema.

Os russos tomaram o controle do complexo por volta das 9h de Kiev (4h de Brasília).

Risco nuclear

Com receio de um acidente, a Ucrânia alertou a (AIEA) que algo poderia acontecer antes mesmo do bombardeio, no momento em que tanques e infantaria russos estavam próximos da cidade de Enerhodar, a poucos quilômetros da central.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o diretor geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, pediu a suspensão imediata do uso da força em Enerhodar e perto da central. Ele destacou que a agência continuava ajudando Kiev para garantir a segurança das instalações nucleares da Ucrânia.

Antes mesmo do anúncio de que os russos tomaram o controle do complexo, a AIEA informo que o equipamento essencial da usina não foi afetado pelo incêndio.

Para russos, sabotadores ucranianos atacaram

O Ministério de Defesa da Rússia disse que a culpa do ataque na região do complexo militar é de sabotadores ucranianos.

Um porta-voz do ministério disse que a usina está operando normalmente, e que já estava sob controle russo desde o dia 28 de fevereiro.

“Na última noite, em um território adjacente à usina nuclear, houve uma tentativa de nacionalistas do regime de Kiev de tentar fazer uma provocação monstruosa”, disse Igor Konashenkov, o porta-voz.

Segundo ele, a patrulha russa foi atacada por sabotadores russos no terreno ao lado do complexo.

Ataques russos continuam

Apesar dos pedidos de cessar-fogo de autoridades como o presidente americano, Joe Biden, e do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, até que se resolvesse a situação na usina, movimentações militares continuaram a acontecer em todo o país.

Em Ojtirka, cidade localizada na região de Sumi, as forças russas realizaram novos bombardeios, deixando a população sem eletricidade e aquecimento, de acordo com o chefe da Administração Militar Regional, Dmytro Zhivitski.

"Em princípio, toda a região de Sumi é agora uma terra do inferno, que está sendo destruída pelas tropas russas", escreveu Zhivitski em uma publicação no Twitter.

Em Mariupol, forças ucranianas continuam no controle da cidade, porém a infraestrutura civil está cada vez mais danificada em função dos bombardeios russos, informou um relatório de inteligência do Reino Unido.

De acordo com as informações britânicas, a cidade continua cercada por soldados russos e das regiões separatistas de Donbass, reconhecidas pela Rússia como as repúblicas populares de Donetsk e Luhansk. /EFE, AP e REUTERS

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