AFP PHOTO / Abd Doumany
AFP PHOTO / Abd Doumany

Guerra não parou Damasco

Moradores se esforçam para manter rotina

O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2016 | 05h00

DAMASCO - A guerra é rotineira em Damasco, na Síria: disparos de artilharia são ouvidos com frequência, controles de segurança desaceleram o tráfego e o preço de todos os produtos disparou. Ainda assim, a vida social da cidade, uma das mais importantes entre as capitais árabes, não foi paralisada.

Damasco foi classificada neste ano pela revista The Economist como a pior cidade do mundo para se viver, e o conflito armado que faz o país sangrar há cinco anos é a razão por trás desta denominação, apesar de os moradores seguirem com suas vidas, tentando até mesmo não abrir mão do lazer.

Na área de Bab Sharqi, na parte antiga da cidade, onde no ano passado projéteis lançados pelos rebeldes caíam com frequência, agora os jovens se juntam para fumar e ver jogos de futebol nos bares.

“Sair para um bar era algo impensável até poucos meses atrás. Estou cansado da guerra, preciso viver uma vida normal”, disse um estudante de engenharia agrícola de 22 anos que se identificou como Sameh.

A capital síria segue repleta de grupos armados opositores, e os combates e bombardeios continuam diariamente nos arredores, mas na Ópera de Damasco homens de terno e gravata e mulheres com vestidos longos aplaudem os espetáculos exibidos. 

À noite, jovens fazem fila nos cinemas e a música toma conta das cafeterias tradicionais e dos restaurantes, que costumam estar cheios nos horários de almoço e jantar. As pessoas já quase não reagem ao escutar uma explosão ou a cada vez que acontece um corte de luz. 

Durante o dia, as ruas da cidade estão cheias de atividade e nas lojas não faltam clientes, como na sorveteria Bakdash, localizada no mercado histórico de Damasco. A movimentação no comércio é vista mesmo apesar de os preços terem disparado desde o começo do conflito, em 2011, e a moeda local ter se desvalorizado de 47 libras sírias por US$ 1 para as atuais 450 libras. Enquanto isso, o salário mínimo é de 20 mil libras (cerca de US$ 40).

“Para nós que ficamos, sabemos que estamos fazendo uma aposta arriscada. Em qualquer momento, você pode morrer por uma explosão”, afirmou Aziz, um engenheiro de 35 anos que decidiu permanecer. “Mesmo assim, eu fico e, não importa o que aconteça, vou ficar.” / EFE

Veja abaixo: Cidade síria recebe ajuda humanitária pela primeira vez desde 2012

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