Guerra não tem custo alto para Argentina, diz economista

O economista argentino Felipe de la Balze, chefe da equipe econômica do candidato à Presidente, Ricardo López Murphy, acredita que a guerra "não provocará um custo muito alto para a Argentina", já que exporta ao Iraque somente US$ 50 milhões de dólares por ano. Porém, destaca que se o conflito durar muito tempo "dificultará o crescimento mundial , e isso não ajudará na reinserção internacional da Argentina, além de que os fretes e seguros ficarão mais caros, devido à grande distância da Argentina destes centros econômicos importantes. Com isso, será mais caro importar e exportar". Para ele, as consequências da guerra serão mais ligadas às questões da segurança, pois juntam-se fatores como "grandes comunidades judia e árabe na Argentina", e sobre como o "país estará relacionado ao novo mapa pós-guerra". Por isso, a Tríplice Fronteira é foco de atenção do governo argentino.No que diz respeito à segurança, medidas preventivas já foram adotadas na região da Tríplice Fronteira com o reforço do policiamento nos controles. As forças de segurança nesta região estão estado de alerta. Segundo informações do serviço de inteligência do governo argentino, as polícias de fronteira (Gendarmeria), a federal e a da prefeitura naval estão concentradas na Tríplice Fronteira para "vigiar atentamente o movimento da comunidade islâmica que vive em Foz de Iguaçu (Brasil) e Ciudad del Este (Paraguai)". O objetivo é evitar a entrada na Argentina de grupos que poderiam estar vinculados a Hamas o Jihad, que foram chamados para cometer atentados suicidas em represália ao ataque bélico de Estados Unidos contra Iraque. Um helicóptero foi enviado para fazer a vigilância sobre o rio Paraná, enquanto soldados montam guarda abaixo da ponte Tancredo Neves, que liga Puerto Iguazú con Foz de Iguaçu, durante as 24 horas. Já na confluência dos rios Paraná e Iguazú, está instalada uma lancha de alta velocidade. A polícia de Fronteira argentina, chamada de Gendarmeria, enviou 150 soldados para reforçar o esquadrão 13, com sede em Puerto Iguazú. Tanto cuidado com aquela zona não é pra menos, a guerra EUA x Iraque trouxe de volta o medo e a sensação de vulnerabilidade deste país que traz em sua memória a marca de dois terríveis ataques terroristas: em 1992 contra a Embaixada de Israel, e em 1994 contra a sede da Associação Mutual Israelita. Ambos ataques a bomba que ocorreram em Buenos Aires deixaram um saldo de 114 mortos e cerca de 200 feridos.A chancelaria argentina informou que medidas preventivas também foram adotadas para a proteção das embaixadas dos países do Oriente Médio em Buenos Aires, com o reforço do policiamento nestes edifícios. O governo está preocupado, segundo informações da chancelaria, com os cidadãos e funcionários argentinos que se encontram no Oriente Médio, onde a Argentina tem representações diplomáticas em suas embaixadas da Arábia Saudita, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Irã, Israel, Síria, Turquia e Kuwait. A maioria dos argentinos que vivem naquela região está concentrada em Israel com cerca de 70 mil pessoas registradas. Na Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Omán e Yemen vivem aproximadamente 150 argentinos. No Kuwait, outros 30 estão registrados como residentes; nos Emirados, mais 80; na Síria, cerca de 150; no Líbano, 320; na Turquia, 30; e no Irã, cerca de 15 argentinos.Embora as relações diplomáticas entre a Argentina e o Iraque estejam cortadas, desde os ataques terroristas contra a embaixada de Israel e a associação judia, há uma relação comercial disposta pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que permite o intercâmbio comercial de "petróleo por alimento". As embaixadas destes países estão atualizando os dados dos argentinos que se encontram na zona da guerra. Também foram elaborados planos de evacuação para estes cidadãos e o governo fez uma remessa adicional para o orçamento diplomático com o objetivo de adquirir equipamentos protetores contra gás, telefones via satélite e para ajudar argentinos em situações emergenciais. Para os moradores de Kuwait, foram enviadas máscaras e filtros anti-gás e um refúgio anti-bombas foi habilitado com provisão de água e alimentos.O chanceler Carlos Ruckauf anunciou, no sábado passado, que a Argentina enviará assistência humanitária aos iraquianos, através das Nações Unidas, que incluem distintos aspectos de reconstrução e reabilitação do Iraque até a assistência aos refugiados para que recebam alimentos e remédios. Veja o especial:

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