Guerra não vai implodir a União Européia, diz analista

O diretor do Centro para Mercados Emergentes e Novos da London Business School (LBS), Simon Commander, discorda de análises pessimistas sobre o futuro da União Européia, provocados pela divisão entre os países europeus quanto à guerra - Grã-Bretanha e Espanha, por exemplo, apóiam a invasão do Iraque, Alemanha e França são contra. "Por mais desagradáveis que sejam os embates políticos a respeito da guerra na União Européia no momento, eles não serão duradouros" diz. "Ninguém está prevendo o colapso da União Européia por causa dessa divisão de posições".Commander acredita que as relações entre o Brasil e a União Européia serão pouco afetadas pelos efeitos da guerra. Em termos comerciais, o único impacto que o Brasil sentirá será uma esperada queda na demanda por produtos importados, brasileiros nos mercados europeus, por causa da desaceleração econômica que está sendo provocada pela alta do petróleo e pela retração dos negócios diante das incertezas da guerra, afirmou.Commander, que participou hoje, em São Paulo, de um seminário sobre comercialização de tecnologias avançadas, acredita que os custos econômicos da guerra para a economia mundial serão baixos se o conflito tiver curta duração. Commander considera conflito curto a conclusão no prazo de um mês das principais manobras militares lideradas pelos EUA contra o Iraque. "Neste cenário, o preço do petróleo vai recuar rapidamente e as atividades poderão ser reativadas nas principais economias mundiais", disse.Para a União Européia, o especialista prevê que um conflito de curta duração e bem sucedido para as forças invasoras do Iraque terá conseqüências políticas positivas para os governantes que apoiaram a guerra, como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o primeiro-ministro espanhol, Jose María Aznar.Reforçando um consenso entre os analistas do cenário internacional, Commander afirma que o impacto da guerra para a economia mundial depende basicamente da duração do conflito. Com uma guerra prolongada, afirma Commander, os Estados Unidos voltam a cair em recessão e a recuperação da economia européia, que já está bastante lenta, será retardada ainda mais.Ele disse que a maior economia da União Européia, a Alemanha, continua estagnada e que a continuidade da guerra só vai agravar a situação da economia nos principais mercados europeus. Veja o especial :

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