EFE/EPA/YAHYA ARHAB
EFE/EPA/YAHYA ARHAB

Pobreza, fome e doenças roubam infância das crianças do Iêmen, denuncia Unicef

Relatório da organização aponta que em 2016 o número de menores assassinados aumentou de 900 para mais de 1.500; metade da população iemenita vive com menos de US$ 2 por dia

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 12h18

MADRI - No momento em que a guerra no Iêmen chega a seu segundo ano, o Unicef divulgou um relatório nesta segunda-feira, 27, advertindo que a pobreza, a fome e as doenças roubam a infância das crianças do país, e as famílias recorrem a medidas cada vez mais extremas para manter seus filhos.

Com dados verificados das Nações Unidas, o relatório "Falling through the Cracks" ("Caindo pelas Fendas"), elaborado pelo Unicef, assegura que somente em 2016 o número de crianças assassinadas aumentou de 900 para mais de 1.500, o de feridas quase se duplicou, passando de 1.300 para 2.450, e o de recrutadas se aproximou de 1.580, frente a 850 no ano anterior.

O relatório indica também que os ataques a escolas quadruplicaram, passando de 50 a 212, que os ataques a hospitais e instalações sanitárias aumentaram um terço (de 63 para 95) e o número de crianças feridas e recrutadas duplicou em um ano.

"A guerra no Iêmen segue custando a vida e o futuro das crianças", declarou Meritxell Relaño, representante do Unicef no Iêmen. "A luta e a destruição incessantes já lhes marcaram por toda a vida. As famílias estão sem recursos e lutam para fazer frente à situação.”

A agência da ONU lembrou ainda que a violência debilitou muito os mecanismos de sobrevivência da população, o que levou o Iêmen a sofrer uma das maiores emergências de segurança alimentar e desnutrição do mundo.

O número de pessoas extremamente pobres e vulneráveis também disparou. Cerca de 80% das famílias estão com dívidas e metade da população vive com menos de US$ 2 por dia, segundo o relatório.

O documento denuncia que, conforme os recursos familiares diminuem, mais crianças são recrutadas pelas partes em conflito ou se veem obrigadas a se casar. "Cerca de 10 milhões de crianças estão sofrendo as consequências terríveis de um conflito que deve acabar. Temos de abrir os olhos diante do que estão vivendo diariamente e atuar antes que seja tarde" afirmou Javier Martos, diretor-executivo do Unicef Comitê Espanhol.

O sistema de saúde do Iêmen, de acordo com o relatório, "está à beira do colapso: cerca de 15 milhões de homens, mulheres e crianças não têm acesso a atendimento sanitário. O surto de cólera e de diarreia aquosa aguda que aconteceu em outubro de 2016 continua se estendendo".

Em nome das crianças do Iêmen, o Unicef faz um apelo para que sejam adotadas medidas urgentes, como uma solução política imediata que coloque um fim à guerra e às graves violações dos direitos das crianças, além de um aumento massivo e imediato da resposta para combater a desnutrição entre os menores e as mulheres grávidas.

"Devemos atuar agora para que as famílias deixem de estar à beira do abismo. Os riscos para as gerações futuras são muito altos", concluiu Relaño.

O Iêmen completou o segundo aniversário do início da ofensiva militar da coalizão árabe, liderada pela Arábia Saudita, em uma intervenção que generalizou o conflito, deixando milhares de mortos e levando o país mais pobre do Oriente Médio à beira da crise de fome.

O segundo aniversário da guerra também tirou das ruas do país centenas de milhares de pessoas leais aos rebeldes houthis e ao ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh. / EFE

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