Guerra no Iraque vira conservadores contra Bush

Um importante líder conservador, que defendeu a invasão do Iraque, agora afirma que problemas dentro do governo Bush transformaram a política americana para o país num desastre. Richard Perle, que chefiou um comitê de conselheiros do Pentágono no início do governo de George W. Bush, declarou que, se tivesse visto, no início da guerra, para onde o conflito levaria, provavelmente não teria defendido a invasão que derrubou o ditador Saddam Hussein. Perle foi secretário-assistente de Defesa durante o governo Ronald Reagan. "Eu provavelmente teria dito: ´Vamos estudar outras estratégias para lidar com o que nos preocupa mais, que é Saddam fornecer armas de destruição em massa para terroristas´", disse ele à revista Vanity Fair, em entrevista que será publicada na edição de janeiro. Respondendo a uma pergunta sobre a entrevista, o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, afirmou: "O presidente tem um plano para ser bem-sucedido no Iraque, e seguiremos adiante com ele". Outros conservadores importantes criticam a condução da guerra na reportagem da revista, incluindo Kenneth Adelman, que também fez parte do Comitê de Políticas de Defesa que prestou assessoria informal a Bush. Adelman se disse "arrasado" pela atuação do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld. Enquanto isso, o Military Times Media Group, que publica Army Times e outros periódicos de orientação militar, informa que pedirá, em editoriais de suas publicações, a Bush que demita Rumsfeld. As críticas em Vanity Fair surgem num momento em que cada vez mais membros do Partido Republicano criticam a condução do conflito no Iraque. A guerra tornou-se um assunto principal nas eleições da próxima semana, para o Congresso. Perle disse que "é preciso responsabilizar o presidente", porque Bush não reconheceu a "deslealdade" de figuras da administração. Ele disse que o Conselho de Segurança Nacional, então chefiado pela atual secretária de Estado, Condoleezza Rice, serviu mal ao presidente. Um ano antes da guerra, Adelman havia previsto que derrotar Saddam e libertar o Iraque seria "um passeio". Mas ele afirma, agora, que sua opinião favorável da equipe de segurança nacional estava equivocada. "Eles se mostraram uma das equipes mais incompetentes do pós-guerra", declarou. "Não só têm, cada um, individualmente, falhas enormes, como, juntos, foram mortalmente disfuncionais".

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