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Guerra no Sri Lanka matou ao menos 80 mil em 3 décadas

ONU afirma que até 100 mil pessoas podem ter morrido no conflito; 280 mil foram descolados pelos combates

20 de maio de 2009 | 09h05

A guerra de quase 30 anos no Sri Lanka deixou entre 80 mil e 100 mil mortos no país, segundo as últimas estimativas da ONU apresentadas nesta quarta-feira, 20. A Agência da ONU para Refugiados afirmou ainda que a ofensiva que encerrou conflito entre os rebeldes tâmeis e o Exército deixou mais de 280 mil refugiados, 80 mil deles apenas nos últimos três dias.

 

O presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, anunciou na terça-feira a "derrota total" do grupo rebelde Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE, na sigla em inglês). A derrota da guerrilha marca o fim de mais de 25 anos de guerra civil, um dos conflitos mais antigos do planeta. "O Sri Lanka está livre do terror separatista", disse Rajapaksa. "A autoridade do Estado agora se exerce em cada centímetro do território."

 

Na segunda-feira, o governo havia anunciado a morte de todos os líderes do grupo rebelde, entre eles o chefe supremo, Velupillai Prabhakaran. O vídeo divulgado pelo governo mostrou o corpo do guerrilheiro vestido com uniforme de camuflagem. O Exército também exibiu sua placa de identificação do grupo separatista. Os tigres tâmeis, porém, afirmaram que seu comandante está vivo. "Ele está são e salvo e continuará liderando a luta pela liberdade do povo tâmil", afirmou um porta-voz da guerrilha, Selvarasa Pathmanathan.

 

Segundo a porta-voz do Escritório de Ajuda Humanitária das Nações Unidas, Elisabeth Byrs, entre 80 mil e 100 mil pessoas morreram. Os violentos combates entre os tâmeis e o Exército cingalês já mataram mais de 6.500 civis apenas neste ano, segundo cálculos extraoficiais da ONU.

 

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) elevou ainda para 280 mil o número de refugiados no conflito, 80 mil somente nos últimos três dias. A principal preocupação é quanto à aglomeração nos campos de refugiados, onde os serviços são mínimos e não abastecem todas as necessidades dos deslocados. "Os civis que chegam das zonas de conflito estão famintos, desnutridos e desidratados", disse o porta-voz do Acnur, Ron Redmon.

 

Mas o pior, segundo diferentes agências humanitárias da ONU, é que o governo do Sri Lanka continua sem permitir o acesso às zonas de combate, o que faz temer pela vida de dezenas de milhares de civis presos durante semanas entre o fogo cruzado do Exército cingalês e dos guerrilheiros tâmeis. "As agências da ONU continuam pedindo livre acesso a todo o território para poder atender as pessoas que necessitam de atendimento", afirmou Elisabeth Byrs.

 

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, visitará o Sri Lanka no fim da semana. Foi divulgada nesta quarta a informação de que Ban se reuniu em Genebra com o ministro da Saúde do Sri Lanka, Nimal Siripala De Silva, e lhe mostrou sua preocupação com a situação. Siripala De Silva ocupa neste ano a Presidência rotativa da Assembleia Mundial da Saúde, que acontece em Genebra esta semana.

 

Guerrilha

 

O Exército do Sri Lanka anunciou a descoberta dos corpos de 35 guerrilheiros que caíram nos combates que puseram fim ao conflito no país, e informou a morte de outros cinco rebeldes no leste. Os corpos descobertos são de 28 homens e sete mulheres, segundo o Exército, que anunciou nos últimos dias a morte da praticamente toda a cúpula dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE) na ofensiva militar final no nordeste do país. As tropas mataram cinco supostos guerrilheiros que atacaram um destacamento na região de Periyapillumalai, situado no distrito de Batticaloa, informou o Ministério da Defesa em comunicado.

 

O LTTE iniciou em 1983 a luta armada pela independência dos tâmeis, etnia que compõe 18% da população do Sri Lanka, antigo Ceilão, e vive no norte do país. Eles acusam os cingaleses, a maioria da população, de segregação e de ocupar os mais importantes cargos públicos e os principais postos do Exército.

 

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