Guerra obriga AL a mudar estratégias na relação com EUA

O novo modelo de hegemonia mundial estabelecido pelos Estados Unidos a partir da invasão do Iraque vai obrigar os países da América Latina a criarem estratégias claras em sua política com o governo norte-americano por causa do risco da "sublimação completa" dos interesses nacionais aos "interesses do império", avaliou hoje o especialista em política externa dos Estados Unidos, professor Luiz Fernando Ayerbe, da Universidade Estadual Paulista (Unesp)."Há irracionalidade na forma de agir do presidente George W. Bush, controlado por um grupo de conservadores, mas há principalmente objetividade. Os Estados Unidos têm clareza de seus interesses", afirma Ayerbe. Para ele, os EUA colocaram suas necessidades estratégicas acima de tudo com a invasão do Iraque. "Precisam ocupar o Iraque e o Afeganistão para assumir o controle da região mais complicada do mundo e, ao mesmo tempo, controlar as reservas de petróleo", diz Ayerbe.O professor acredita que "não existe retorno" nesta decisão hegemônica dos EUA de definir, de acordo com seus interesses e com o poder das armas, o controle territorial do mundo. "Não há economia no mundo capaz de confrontar o poder bélico dos EUA, o que temos são apenas alguns países com receio da hegemonia, mas sem condição alguma de contrapô-la", avalia ele. Diante deste cenário que o professor já vê esboçado no mundo, os países da América Latina poderão ser confrontados em breve com interesses estratégicos dos EUA. "Por enquanto, nossa região não tem importância nenhuma porque não oferece nenhuma ameaça e os EUA se baseiam em ameaças para agir", diz ele. "Mas a América Latina é rica em recursos escassos e não podemos esquecer que o controle das reservas mundiais de água será estratégico nas próximas décadas."Para Ayerbe, os países latino-americanos, ao contrário dos europeus e da maioria dos asiáticos, não têm clareza estratégica de suas relações com os EUA. "Isso terá que ser elaborado, com urgência, porque a guerra impôs mudanças rápidas e decisivas no mundo", acredita ele. Veja o especial:

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