Guerra prejudicou imagem internacional dos EUA

A guerra contra o Iraque aprofundou a ruptura entre a Europa e os EUA e enfureceu a maior parte dos muçulmanos do mundo, constatou a pesquisa The Pew Global Attitudes Project, realizada após consultas com mais de 16 mil pessoas em 20 países - incluindo o Brasil - e divulgada hoje. O estudo do Pew Research Center, de Washington, foi dirigido pela ex-secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright.A conclusão confirma o que comentários de analistas, diplomatas e políticos de vários países já deixavam transparecer desde os meses que antecederam a guerra: a administração do presidente americano, George W. Bush, é vista como unilateralista e inspira pouca confiança fora dos EUA."A curta duração da guerra e a crença na tese de que os iraquianos vivem melhor agora do que antes melhoraram levemente a imagem dos EUA no exterior, mas, na maioria dos países, as opiniões sobre os americanos são muito mais baixas do que em 2002", diz o documento. "A guerra ampliou a divisão entre os EUA e a Europa, enfureceu o mundo muçulmano, fez reduzir o apoio à luta contra o terrorismo e enfraqueceu significativamente o apoio público à ONU e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)."Eis algumas das conclusões mais marcantes do estudo:O apoio aos EUA chegou aos níveis mais baixos na maioria dos países muçulmanos, do Oriente Médio e Paquistão à Indonésia e em algumas nações africanas. Em todo o mundo, 57% dos entrevistados disseram ter uma visão negativa dos EUA.Quase a metade dos marroquinos e paquistaneses e a maioria dos palestinos, jordanianos e indonésios confiam mais em Osama bin Laden do que em Bush, "para fazer o correto em questões internacionais".Nos países que se opuseram à invasão do Iraque, há a impressão generalizada de que a coalizão não se preocupou em evitar baixas civis. De outra parte, nos países que integraram a coalizão e em Israel, a percepção é a de que a preocupação com os civis foi grande.A visão positiva da ONU em todo o mundo caiu de 75% para 45%.Na França, 83% disseram apoiar a posição do governo de Jacques Chirac, de opor-se à guerra.Entre os europeus, a confiança na condução da política exterior de Chirac e do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, está acima dos 75%.

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