Guerra teria deixado 45 mil vítimas, diz ONG opositora

Só os civis mortos seriam 30 mil, de acordo com Organização Síria de Direitos Humanos, com sede em Londres

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h05

A guerra civil na Síria travada entre os rebeldes e as forças leais ao regime de Bashar Assad há 21 meses já deixou 45 mil mortos - dos quais 30 mil civis. A estimativa foi apresentada ontem pela Organização Síria de Direitos Humanos (OSDH), ONG de oposição com base em Londres. Outros 15 mil militares e desertores completam a lista negra do conflito.

Em números exatos, a organização soma 31.544 civis mortos desde 15 de março de 2011. O cálculo, entretanto, inclui entre os civis vítimas que pegaram em armas em algum momento. "Milhares de pessoas que aparecem como civis são rebeldes", confirmou à agência France Presse (AFP) o diretor da OSDH, Rami Abdel Rahmane.

Um total de 11.217 soldados do Exército fiel ao regime também teria morrido nos confrontos, além de 1.511 desertores que se aliaram à rebelião. "É preciso incluir ainda 776 pessoas mortas cujas as identidades não puderam ser indicadas", ressaltou Rahmane.

A contagem da ONG se vale de informações coletadas na Síria por militantes e por médicos e enfermeiros de hospitais civis e militares do país. O cálculo não inclui os desaparecidos, nem os presos - que seriam dezenas de milhares. Rahmane crê que os números ainda seriam subestimados por ambos os lados em conflito. "Nem os rebeldes, nem o Exército revela o número exato de pessoas mortas em suas fileiras, para não abalar o moral das tropas", diz ele.

Contagens mais conservadoras estimam em 20 mil o número de mortos. A Organização das Nações Unidas (ONU) fala de 20 mil a 30 mil mortos.

Negociações. A Síria recebe desde o domingo mais uma visita do emissário internacional Lakhdar Brahimi, que tenta negociar um cessar-fogo e um acordo de paz entre do regime e as forças rebeldes. Depois de passar por Damasco, Brahimi será recebido no sábado pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov, em Moscou, em busca de um plano internacional para o fim da crise.

De acordo com a agência russa Itar-Tass, uma delegação do governo sírio deve ser recebida nas próximas horas em Moscou. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Mohamed Kamel Amr, participará da reunião de mediação.

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